Dor Torácica Não Cardíaca: Diagnóstico e Manejo

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2022

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 38 anos, com dor torácica intensa e sensação de queimação. A dor se irradia para o pescoço e é originada geralmente após as refeições e quando se deita, não sendo desencadeada por esforços. O ECG seriado está normal, assim como os níveis de troponina. Nesse contexto, é INCORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) É apropriado avaliar a dor torácica para descartar isquemia cardíaca. 
  2. B) Uma das causas mais comuns de ''dor torácica'', particularmente em pacientes jovens, é o refluxo gastroesofágico ou o espasmo esofágico. 
  3. C) Essa paciente tem sintomas clássicos de esofagite de refluxo e o melhor tratamento é com inibidor de bomba de prótons. 
  4. D) Considerando a origem da dor, como narrado, ela deve ser investigada com teste de esforço com tálio. 

Pérola Clínica

Dor torácica pós-prandial e ao deitar, sem esforço, ECG/troponina normais → suspeitar de origem esofágica (DRGE/espasmo).

Resumo-Chave

A dor torácica de origem esofágica, como a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ou espasmo esofágico, pode mimetizar a dor anginosa. No entanto, sua relação com refeições, decúbito e ausência de relação com esforço físico, juntamente com exames cardíacos normais, apontam para uma etiologia não cardíaca. Testes de esforço são para isquemia cardíaca.

Contexto Educacional

A dor torácica é um sintoma comum e desafiador no pronto-socorro, exigindo uma abordagem sistemática para diferenciar causas cardíacas de não cardíacas. A dor torácica não cardíaca (DTNC) é frequentemente de origem gastroesofágica, como a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ou espasmo esofágico, e pode mimetizar a angina, levando a investigações desnecessárias. É crucial para residentes e estudantes de medicina dominar o diagnóstico diferencial. A fisiopatologia da dor esofágica envolve a irritação da mucosa por refluxo ácido ou dismotilidade esofágica, causando sintomas como queimação e dor retroesternal que pode irradiar. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história detalhada do paciente, e a exclusão de causas cardíacas através de ECG e marcadores de necrose miocárdica. A suspeita deve ser alta quando a dor não é desencadeada por esforço e tem relação com alimentação ou posição. O tratamento da dor torácica de origem esofágica geralmente envolve inibidores de bomba de prótons (IBP) para DRGE, além de modificações no estilo de vida. Para espasmo esofágico, podem ser usados relaxantes musculares ou nitratos. É fundamental evitar a realização de exames invasivos ou de alto custo para isquemia cardíaca, como o teste de esforço com tálio, quando a probabilidade pré-teste de doença cardíaca isquêmica é baixa e a clínica aponta para uma causa esofágica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para dor torácica não cardíaca?

Sinais incluem dor em queimação, irradiação para pescoço, relação com refeições ou decúbito, e ausência de relação com esforço físico, com exames cardíacos normais.

Qual a conduta inicial para suspeita de dor torácica por refluxo gastroesofágico?

A conduta inicial envolve o uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) e modificações no estilo de vida, como evitar refeições tardias e elevar a cabeceira da cama.

Como diferenciar dor torácica cardíaca de esofágica?

A dor cardíaca tipicamente piora com esforço e melhora com repouso/nitratos, enquanto a esofágica pode estar relacionada a alimentos, decúbito e não se relaciona a esforço, com ECG e troponinas normais.

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