Dor Torácica por Cocaína: O Que Evitar no Tratamento Inicial

SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021

Enunciado

Um homem de 52 anos de idade, tabagista, procura o prontosocorro com dor torácica após o uso de cocaína, há cerca de 3 horas. Ao exame físico, encontra-se ansioso, taquipneico, com frequência cardíaca de 110 bat/min, pulso regular, PA = 140X90 mmHg, com ausculta cardíaca e pulmonar normais. Uma droga que deve ser evitada nessa terapia inicial é:

Alternativas

  1. A) aspirina
  2. B) propranolol
  3. C) nitroglicerina
  4. D) benzodiazepínico

Pérola Clínica

Dor torácica pós-cocaína: EVITAR beta-bloqueadores (ex: propranolol) devido a vasoconstrição coronariana não oposta.

Resumo-Chave

Em pacientes com dor torácica associada ao uso de cocaína, os beta-bloqueadores não seletivos (como o propranolol) são contraindicados. Isso ocorre porque o bloqueio dos receptores beta-2, que mediam a vasodilatação, pode levar a uma vasoconstrição coronariana exacerbada e não oposta pelos receptores alfa-adrenérgicos, piorando a isquemia miocárdica e a hipertensão.

Contexto Educacional

A dor torácica após o uso de cocaína é uma emergência médica comum, representando um desafio diagnóstico e terapêutico. A cocaína é uma droga simpaticomimética potente que causa vasoconstrição coronariana, aumento da demanda miocárdica de oxigênio, agregação plaquetária e formação de trombos, podendo levar a síndromes coronarianas agudas (SCA), dissecção aórtica e arritmias. A avaliação inicial deve ser rápida, focando na estabilização do paciente e exclusão de condições de risco de vida. O manejo inicial visa reduzir a atividade simpática e reverter a vasoconstrição. Benzodiazepínicos são a primeira linha para controlar a agitação, ansiedade, taquicardia e hipertensão. Nitroglicerina e bloqueadores dos canais de cálcio (como diltiazem ou verapamil) são eficazes para aliviar a dor torácica e a isquemia. Aspirina deve ser administrada se houver suspeita de SCA. É crucial evitar beta-bloqueadores não seletivos, como o propranolol, pois podem exacerbar a vasoconstrição coronariana devido ao bloqueio da vasodilatação mediada por receptores beta-2, deixando a ação alfa-adrenérgica da cocaína sem oposição. Residentes devem estar cientes da particularidade do tratamento da dor torácica induzida por cocaína. A compreensão da fisiopatologia e das contraindicações específicas é vital para evitar iatrogenias. O tratamento adequado e a monitorização contínua são essenciais para prevenir complicações graves e melhorar o prognóstico desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Por que os beta-bloqueadores são contraindicados na dor torácica induzida por cocaína?

Os beta-bloqueadores não seletivos, como o propranolol, bloqueiam os receptores beta-2 que promovem vasodilatação. Ao fazer isso, deixam a ação alfa-adrenérgica da cocaína (vasoconstrição) sem oposição, podendo piorar a isquemia miocárdica e a hipertensão.

Qual a conduta inicial recomendada para dor torácica após uso de cocaína?

A conduta inicial inclui benzodiazepínicos para sedação e redução da atividade simpática, nitroglicerina para vasodilatação e alívio da dor, e aspirina se houver suspeita de síndrome coronariana aguda. Monitorização cardíaca é fundamental.

Quais são os principais riscos cardiovasculares do uso de cocaína?

O uso de cocaína pode levar a diversos eventos cardiovasculares graves, como infarto agudo do miocárdio, arritmias, dissecção aórtica, acidente vascular cerebral e hipertensão arterial grave, devido aos seus efeitos simpaticomiméticos e vasoconstritores.

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