HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2021
Júlia, 28 anos de idade, consultou médico de família da UBS de referência, queixando-se de episódios de dor torácica em aperto, associada a aumento da frequência respiratória e sensação de mal-estar geral. As crises duram cerca de meia hora e cessam espontaneamente. Júlia não tem comorbidades, nega tabagismo e apresenta IMC = 20 kg/m2 . Pesquisou seus sintomas na rede mundial de computadores, razão pela qual, durante o atendimento, solicita teste ergométrico como meio para encontrar a causa dos seus sintomas. Diante da solicitação de Júlia, o médico, considerando a indicação e a motivação para tal exame, deverá explicar, respectivamente, que:
Dor torácica atípica em jovem de baixo risco → baixo valor preditivo positivo do TE → não solicitar.
Em pacientes com baixa probabilidade pré-teste de doença arterial coronariana (DAC), como Júlia, o teste ergométrico tem um baixo valor preditivo positivo. Isso significa que um resultado positivo seria mais provável de ser um falso positivo, levando a investigações desnecessárias e ansiedade.
A avaliação da dor torácica é um desafio comum na prática médica, e a decisão de solicitar exames complementares deve ser guiada pela probabilidade pré-teste de doença arterial coronariana (DAC). Em pacientes jovens, sem fatores de risco cardiovascular e com características de dor torácica atípica, como Júlia, a probabilidade pré-teste de DAC é muito baixa. Nesse cenário de baixa probabilidade pré-teste, o teste ergométrico, embora seja um exame útil em outras situações, apresenta um baixo valor preditivo positivo (VPP). Isso significa que, se o exame de Júlia viesse positivo, a chance de ser um falso positivo seria alta, levando a ansiedade desnecessária e, potencialmente, a uma cascata de exames mais invasivos e caros, como cateterismo cardíaco, sem benefício real para a paciente. Portanto, o médico de família deve explicar a Júlia que, devido à sua baixa probabilidade de ter DAC e ao baixo VPP do teste ergométrico nesse contexto, o exame não é necessário e não traria informações úteis para o seu caso. A conduta adequada seria tranquilizar a paciente, investigar outras causas para a dor torácica (musculoesqueléticas, gastrointestinais, ansiedade) e focar na educação em saúde.
O teste ergométrico é mais indicado para pacientes com dor torácica de características intermediárias ou altas de probabilidade pré-teste para doença arterial coronariana (DAC), ou para avaliar capacidade funcional e resposta a tratamento.
O valor preditivo positivo (VPP) é a probabilidade de um paciente realmente ter a doença quando o resultado do teste é positivo. Em populações de baixa prevalência, o VPP de um teste pode ser baixo, mesmo que o teste seja sensível e específico.
A probabilidade pré-teste é influenciada pela idade, sexo, características da dor torácica (típica, atípica, não anginosa) e presença de fatores de risco cardiovascular (tabagismo, hipertensão, dislipidemia, diabetes, histórico familiar).
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