UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Mulher de 38 anos refere dor em FIE tipo queimação, com irradiação para região dorsal e posterior da coxa esquerda, de forte intensidade, que piora ao esforço físico e melhora parcialmente com o uso de analgésicos comuns e AINE, desde seu último parto, há 2 anos. Essa dor piorou nos últimos 4 meses, com limitação da marcha e expressiva redução da qualidade de vida. AP: G4P3A1C3. É correto afirmar que:
Dor pélvica crônica + múltiplas cesarianas → considerar dor miofascial como principal hipótese.
A dor pélvica crônica é multifatorial, e o histórico de múltiplas cesarianas é um fator de risco importante, podendo levar a aderências e disfunções miofasciais. A dor miofascial é uma causa comum de dor pélvica crônica, caracterizada por pontos-gatilho e irradiação.
A dor pélvica crônica (DPC) é definida como dor na região pélvica que dura por pelo menos seis meses, afetando significativamente a qualidade de vida da mulher. É uma condição complexa e multifatorial, com prevalência estimada entre 15% e 20% das mulheres em idade reprodutiva. Para residentes, é fundamental reconhecer que a DPC não é uma doença única, mas uma síndrome com múltiplas etiologias, incluindo ginecológicas, urológicas, gastrointestinais, musculoesqueléticas e neuropáticas. No caso apresentado, o histórico de G4P3A1C3 e múltiplas cesarianas é um fator de risco significativo. Cirurgias abdominais e pélvicas podem levar à formação de aderências e disfunções da parede abdominal e músculos do assoalho pélvico, resultando em dor miofascial. A dor miofascial é caracterizada por pontos-gatilho em músculos como o iliopsoas, obturador interno ou piriforme, que podem irradiar para a região dorsal e coxa, como descrito na questão. O padrão de dor tipo queimação também pode sugerir um componente neuropático, envolvendo fibras nervosas. O diagnóstico da DPC requer uma abordagem multidisciplinar e uma anamnese detalhada, incluindo características da dor, fatores desencadeantes e de alívio, e histórico cirúrgico. O exame físico deve incluir avaliação da parede abdominal, assoalho pélvico e pontos-gatilho. O tratamento é individualizado e pode envolver fisioterapia, analgésicos, anti-inflamatórios, bloqueios nervosos e, em alguns casos, cirurgia para lise de aderências ou tratamento de condições específicas. É um desafio diagnóstico e terapêutico que exige conhecimento aprofundado.
Os fatores de risco incluem histórico de cirurgias pélvicas (especialmente múltiplas cesarianas), endometriose, infecções pélvicas prévias, trauma pélvico, abuso físico ou sexual, e condições psicossociais. A multiparidade e o pós-parto também são relevantes.
A dor miofascial pélvica se manifesta como dor localizada em músculos específicos da pelve e abdome inferior, com pontos-gatilho palpáveis que reproduzem a dor e podem irradiar para outras regiões, como coxa, glúteos ou região lombar, piorando com o movimento.
A dor nociceptiva resulta da ativação de nociceptores por lesão tecidual (ex: inflamação, isquemia), enquanto a dor neuropática é causada por lesão ou disfunção do sistema nervoso somatossensorial (ex: compressão nervosa, neuralgia pós-cirúrgica). O padrão de queimação e irradiação sugere componente neuropático.
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