UDI 24h - Hospital UDI Teresina (PI) — Prova 2021
Paciente com dor pélvica contínua há um ano, tipo aperto e pontada, sem relação com a menstruação e nem com a relação sexual. Falta constantemente em seu trabalho, onde sofre muita pressão para bater metas de vendas. Refere começar no pescoço e depois vai para a região lombar e pelves; às vezes irradia para os membros inferiores. Qual o diagnóstico mais provável?
Dor pélvica crônica sem causa orgânica clara + estresse/impacto social + dor generalizada → Componente psicossocial importante.
A dor pélvica crônica é multifatorial. A ausência de relação com ciclos menstruais ou sexuais, a presença de dor generalizada (pescoço, lombar, pelve, membros inferiores) e o impacto psicossocial (estresse no trabalho, faltas) sugerem um forte componente psicossocial na etiologia e manutenção da dor.
A dor pélvica crônica (DPC) é definida como dor na região pélvica que persiste por pelo menos seis meses, sem relação exclusiva com a menstruação ou relação sexual. É uma condição complexa e multifatorial, frequentemente sem uma causa orgânica única identificável. A epidemiologia mostra que afeta um número significativo de mulheres, com grande impacto na qualidade de vida e produtividade. É crucial reconhecer que a dor é uma experiência subjetiva e que fatores psicossociais desempenham um papel fundamental na sua percepção e cronicidade. A fisiopatologia da DPC com componente psicossocial envolve a interação entre o sistema nervoso central, o sistema endócrino e o sistema imunológico. Estresse crônico, ansiedade, depressão e histórico de trauma podem modular a percepção da dor, levando à sensibilização central e periférica. O diagnóstico é de exclusão de causas orgânicas e de reconhecimento dos fatores psicossociais através de uma anamnese detalhada, que investigue não apenas a dor, mas também o contexto de vida da paciente, incluindo estresse no trabalho, relacionamentos e saúde mental. A dor que se irradia para múltiplas regiões do corpo, como pescoço, lombar e membros inferiores, sem um padrão neurológico claro, reforça a suspeita de um componente somatoforme ou psicossocial. O tratamento da DPC com forte componente psicossocial exige uma abordagem multidisciplinar. Isso inclui psicoterapia (especialmente terapia cognitivo-comportamental), manejo do estresse, técnicas de relaxamento, fisioterapia pélvica e, em alguns casos, farmacoterapia com antidepressivos ou ansiolíticos para modular a percepção da dor e tratar comorbidades psiquiátricas. O prognóstico melhora significativamente com uma abordagem holística que reconheça e trate todos os aspectos da dor, e não apenas os físicos.
Sinais incluem dor desproporcional aos achados orgânicos, dor que não segue padrões anatômicos ou fisiológicos claros, presença de estresse significativo, ansiedade, depressão, histórico de trauma, e impacto funcional importante na vida diária e profissional.
A dor psicossocial pode se manifestar com sintomas físicos reais, como dor generalizada (fibromialgia-like), fadiga, distúrbios do sono, e sintomas gastrointestinais ou urinários funcionais, sem uma causa orgânica evidente.
A abordagem deve ser multidisciplinar, incluindo terapia cognitivo-comportamental, fisioterapia, manejo do estresse, psicoterapia, e, em alguns casos, medicamentos adjuvantes como antidepressivos tricíclicos ou ISRS, que atuam na modulação da dor.
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