Dor Pélvica Crônica: Manejo e Tratamento com Progesterona

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Nuligesta de 22 anos, com menarca aos 14 anos e ciclos menstruais regulares desde então, veio à consulta por dor pélvica crônica, de intensidade moderada (7/10 pela Escala Visual Analógica), obtendo melhora parcial com anti-inflamatórios não esteroidais, quadro iniciado há 1 ano. Seu IMC era de 19 kg/m². Relatou que fizera uso de contraceptivo hormonal combinado de forma cíclica, mas que, há 2 anos, após colocação de DIU de cobre, houve piora do quadro. Negou alergias, doenças prévias e sintomas gastrointestinais e urinários. O exame ginecológico estava normal. Qual a conduta mais adequada para essa paciente no momento?

Alternativas

  1. A) Solicitar dosagem de CA-125.
  2. B) Solicitar ultrassonografia pélvica transvaginal.
  3. C) Solicitar ressonância magnética pélvica.
  4. D) Iniciar tratamento com progesterona.

Pérola Clínica

Dor pélvica crônica + DIU de cobre + exame normal → suspeitar endometriose/adenomiose → iniciar progesterona.

Resumo-Chave

A dor pélvica crônica, especialmente com piora após DIU de cobre (que pode intensificar sangramento e inflamação), e exame ginecológico normal em nuligesta jovem, sugere endometriose ou adenomiose. O tratamento empírico com progesterona é a conduta inicial mais adequada para aliviar os sintomas e suprimir o crescimento endometrial ectópico.

Contexto Educacional

A dor pélvica crônica (DPC) é uma condição comum que afeta milhões de mulheres, definida como dor não cíclica na pelve com duração de pelo menos seis meses, que causa incapacidade funcional ou requer tratamento médico. A endometriose é uma das principais causas de DPC, caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É crucial para residentes reconhecerem a DPC como um desafio diagnóstico e terapêutico complexo. A fisiopatologia da endometriose envolve inflamação crônica e proliferação de tecido ectópico, que responde a estímulos hormonais. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e na exclusão de outras causas, com a laparoscopia sendo o padrão-ouro para confirmação. No entanto, o tratamento empírico é frequentemente iniciado antes da confirmação cirúrgica, especialmente em pacientes com exame físico normal e sintomas sugestivos. A piora da dor com DIU de cobre pode ocorrer devido ao aumento do sangramento e inflamação local, exacerbando a condição. O tratamento da endometriose visa aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida. A terapia hormonal com progesterona (isolada ou em contraceptivos combinados) é a primeira linha, pois induz atrofia do tecido endometrial e suprime a ovulação, reduzindo a dor. Outras opções incluem AINEs, análogos de GnRH e cirurgia. A escolha da conduta depende da gravidade dos sintomas, desejo de gravidez e resposta ao tratamento inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas sugestivos de endometriose em pacientes com dor pélvica crônica?

A endometriose pode se manifestar com dor pélvica crônica, dismenorreia progressiva, dispareunia e infertilidade. A dor pode piorar com o uso de DIU de cobre, e o exame físico pode ser normal.

Por que a progesterona é a conduta mais adequada para dor pélvica crônica com suspeita de endometriose?

A progesterona atua suprimindo o crescimento do tecido endometrial ectópico e induzindo atrofia, aliviando a dor. É uma terapia hormonal de primeira linha para o manejo da endometriose.

Quando devo considerar exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética na investigação da dor pélvica crônica?

Exames de imagem são indicados se houver falha do tratamento empírico, suspeita de outras patologias, ou para estadiamento pré-cirúrgico. A ultrassonografia transvaginal é o primeiro exame, seguida pela ressonância em casos selecionados.

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