SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 26 anos de idade, G1PN1, refere dor em baixo-ventre há um ano, intensidade de 8 a 10, não aliviada com anti-inflamatório. Tem ciclos menstruais regulares, com dismenorreia leve. Nega dispareunia. Tem constipação crônica. A respeito desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Entre as causas ginecológicas, estão endometriose, leiomiomatose, doença inflamatória pélvica e varizes pélvicas.
Dor pélvica crônica (≥6 meses) → Investigar causas ginecológicas, gastrointestinais, urológicas e miofasciais.
A dor pélvica crônica é multifatorial. Causas ginecológicas comuns incluem endometriose, miomatose e varizes pélvicas, mas o componente gastrointestinal (como constipação) deve ser sempre avaliado.
A dor pélvica crônica é definida como dor não cíclica com duração de pelo menos seis meses, localizada na pelve anatômica, que causa incapacidade funcional. A fisiopatologia envolve frequentemente a sensibilização central e periférica, o que explica por que a dor pode persistir mesmo após o tratamento da causa orgânica inicial. No contexto ginecológico, a endometriose é a causa mais prevalente, mas a leiomiomatose e a DIP devem ser sempre excluídas. A questão aborda corretamente que essas são causas ginecológicas clássicas, validando o conhecimento sobre o diagnóstico diferencial em ginecologia.
As causas ginecológicas mais frequentes incluem a endometriose, caracterizada por tecido endometrial ectópico; a leiomiomatose (miomas), especialmente quando volumosos; a doença inflamatória pélvica (DIP) crônica ou suas sequelas aderenciais; e a síndrome de congestão pélvica (varizes pélvicas). É fundamental realizar o diagnóstico diferencial com causas não ginecológicas, como a síndrome do intestino irritável, cistite intersticial e disfunções da musculatura do assoalho pélvico, que frequentemente coexistem com as patologias ginecológicas.
O diagnóstico de varizes pélvicas, ou síndrome de congestão pélvica, é sugerido por dor que piora ao final do dia ou após longos períodos em pé (ortostatismo), além de dispareunia profunda. O Doppler transvaginal é o exame inicial de escolha, demonstrando veias ovarianas e uterinas dilatadas (geralmente >5mm) com fluxo lento ou invertido. Embora a venografia pélvica seja o padrão-ouro para mapeamento pré-intervenção, o diagnóstico clínico-radiológico por imagem não invasiva é suficiente para a propedêutica inicial.
A abordagem inicial deve ser holística, incluindo anamnese detalhada e exame físico ginecológico minucioso. Se houver suspeita de causa orgânica, a ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de primeira linha. O tratamento inicial muitas vezes envolve o uso de AINEs ou supressão hormonal (anticoncepcionais), mesmo antes de um diagnóstico definitivo por laparoscopia, visando o controle álgico e a melhoria da qualidade de vida, além de encaminhamento para fisioterapia pélvica se houver componente miofascial.
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