Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2022
Paciente de 69 anos, homem, portador de neoplasia pulmonar primária avançada, sem proposta curativa. Chega no pronto atendimento com queixa de dor intensa em região de gradil costal, de caráter contínuo, progressivo nos últimos 3 dias, sendo essa noite de tamanha intensidade que não o permitiu dormir. Sobre o esquema para controle de dor, assinale a medicação com menor potência analgésica para este paciente.
Em dor oncológica avançada, morfina é opioide forte; pamidronato, metadona e dexametasona oferecem potência adicional ou mecanismos específicos para dor óssea/inflamatória/neuropática.
A dor oncológica avançada é frequentemente complexa e requer uma abordagem multimodal. Embora a morfina seja um opioide potente e fundamental, outras medicações como pamidronato (para dor óssea metastática), dexametasona (para dor inflamatória, neuropática e edema) e metadona (opioide de alta potência com perfil único) podem ter um impacto analgésico superior ou mais específico para certos tipos de dor oncológica, tornando a morfina, nesse contexto comparativo, a de "menor potência" adicional ou específica.
A dor oncológica é uma das manifestações mais debilitantes do câncer avançado, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Seu manejo eficaz é um pilar fundamental dos cuidados paliativos. A dor pode ser de diferentes tipos (nociceptiva, neuropática, mista) e requer uma avaliação abrangente para um tratamento adequado. A fisiopatologia da dor oncológica é multifatorial, envolvendo compressão tumoral, invasão óssea, inflamação, lesão nervosa e efeitos dos tratamentos. A escada analgésica da OMS é o guia principal, mas a dor intensa e refratária frequentemente exige opioides fortes e medicações adjuvantes. A morfina é um opioide forte de primeira linha, mas a metadona, com seu perfil farmacocinético complexo e ação em múltiplos receptores, é um opioide de alta potência. Medicações adjuvantes como o pamidronato (um bisfosfonato) são essenciais para a dor óssea metastática, reduzindo a reabsorção óssea e a dor. A dexametasona (um corticoide) é potente para dor inflamatória, neuropática e para reduzir o edema peritumoral, aliviando a compressão. Portanto, em um contexto de dor oncológica avançada e complexa, a combinação de abordagens e o uso de adjuvantes específicos podem ter um impacto analgésico superior ao opioide isolado, tornando a morfina, em comparação, a de "menor potência" específica ou adicional para a complexidade da dor.
A escada analgésica da OMS propõe um tratamento progressivo da dor, começando com analgésicos não opioides, progredindo para opioides fracos e, finalmente, para opioides fortes, sempre com a adição de adjuvantes conforme a necessidade.
O pamidronato, um bisfosfonato, atua inibindo a reabsorção óssea mediada por osteoclastos, sendo altamente eficaz na redução da dor óssea causada por metástases, além de prevenir eventos esqueléticos.
A dexametasona é um corticoide potente indicado para dor oncológica associada à inflamação, edema peritumoral (especialmente em metástases cerebrais ou compressão medular), dor neuropática e náuseas induzidas por quimioterapia.
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