Manejo da Dor Oncológica Intensa: Guia para Residentes

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2019

Enunciado

Aposentado de 58 anos é pai de dois filhos e está viúvo há três anos. Ele tem câncer de próstata e, há cinco anos, realizou orquiectomia. Após recente episódio de dor óssea e retenção urinária, foi internado, recebendo alta hospitalar porque, segundo sua irmã, não havia mais nada a ser feito já que seu quadro clínico foi considerado avançado, progressivo e sem perspectiva de tratamento curativo. Durante uma visita domiciliar, a equipe de saúde realizou orientações quanto ao uso da sonda vesical, prescreveu paracetamol 500mg, codeína 30mg, metroclopramida e óleo mineral. Na entrevista com o médico, o paciente manifestou dúvidas sobre como lidar com a situação, referindo dor intensa, vômitos, náuseas, constipação e dificuldade para dormir. Nesse caso, para o manejo da dor, a conduta adequada, consiste em:

Alternativas

  1. A) substituir paracetamol por anti-inflamatório e manter codeína 30mg
  2. B) substituir paracetamol por dipirona solução oral e acrescentar antidepressivo
  3. C) utilizar escala de dor, manter analgésico e substituir codeína por morfina 10mg
  4. D)  utilizar escala de dor, suspender analgésico e acrescentar uso de corticoide de 12 em 12 horas

Pérola Clínica

Dor oncológica intensa → Escada Analgésica OMS: opioide forte (morfina) é a escolha, associar antiemético e laxante.

Resumo-Chave

Em dor oncológica intensa, como a descrita, a escada analgésica da OMS preconiza o uso de opioides fortes, como a morfina, para controle eficaz. É crucial também manejar os efeitos adversos comuns dos opioides, como náuseas e constipação, com medicações adjuvantes.

Contexto Educacional

O manejo da dor é um pilar essencial nos cuidados paliativos, especialmente em pacientes com câncer avançado, como o caso de câncer de próstata metastático. A dor oncológica pode ser multifatorial e frequentemente intensa, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente. Uma abordagem eficaz exige a compreensão da fisiopatologia da dor e a aplicação dos princípios da escada analgésica da Organização Mundial da Saúde (OMS). A escada analgésica da OMS preconiza um tratamento escalonado: o primeiro degrau inclui analgésicos não opioides (paracetamol, AINEs); o segundo, opioides fracos (codeína, tramadol) para dor moderada; e o terceiro, opioides fortes (morfina, oxicodona, fentanil) para dor moderada a intensa. No caso descrito, com dor intensa e progressiva, a transição para um opioide forte como a morfina é a conduta mais adequada para garantir o alívio. Além da analgesia, é crucial o manejo dos sintomas associados e dos efeitos adversos dos opioides. Náuseas, vômitos e constipação são comuns e devem ser prevenidos ou tratados proativamente com antieméticos (como metoclopramida) e laxantes (como óleo mineral). A avaliação contínua da dor, o ajuste da dose e a consideração de terapias adjuvantes (como corticoides para dor óssea ou neuropática) são componentes fundamentais para otimizar o conforto do paciente em cuidados paliativos.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da escada analgésica da OMS no manejo da dor oncológica?

A escada analgésica da OMS é um guia fundamental para o tratamento da dor oncológica, progredindo de analgésicos não opioides para opioides fracos e, finalmente, para opioides fortes, garantindo o controle da dor de forma escalonada e eficaz.

Quando a morfina deve ser considerada para dor em câncer?

A morfina, um opioide forte, é indicada para dor moderada a intensa que não é controlada por analgésicos não opioides ou opioides fracos. É a base do tratamento da dor oncológica severa, especialmente em cuidados paliativos.

Quais são os efeitos adversos comuns dos opioides e como manejá-los?

Os efeitos adversos mais comuns incluem náuseas, vômitos e constipação. Náuseas e vômitos podem ser controlados com antieméticos (ex: metoclopramida), e a constipação é prevenida e tratada com laxantes (ex: óleo mineral, senna) e aumento da ingestão de fibras e líquidos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo