UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
Homem de 25 anos apresenta queixas inespecíficas de dor generalizada há 1 ano. Essa dor é contínua, profunda e superficial, não se limitando a uma estrutura, sem fatores de melhora ou piora identificados. Realizou extensa investigação diagnóstica sem nenhuma alteração. AP: fadiga e sono não reparador há anos.Em relação ao diagnóstico desse paciente, podemos afirmar que se trata de dor
Dor generalizada crônica, sem lesão tecidual ou neuropatia identificada, com fadiga e sono não reparador → Dor nociplástica (ex: Fibromialgia).
A dor nociplástica é caracterizada por dor que surge ou é mantida por alteração na nocicepção central, sem evidência clara de lesão tecidual ou doença que justifique a dor, nem evidência de doença ou lesão do sistema somatossensorial. É o mecanismo subjacente à fibromialgia.
A dor crônica é um desafio diagnóstico e terapêutico, e sua classificação é fundamental para o manejo adequado. A International Association for the Study of Pain (IASP) propôs uma classificação que inclui três categorias principais: nociceptiva, neuropática e nociplástica. A dor nociplástica é um conceito relativamente novo, introduzido para descrever dores que não se encaixam puramente nas categorias nociceptiva (causada por dano tecidual real ou potencial) ou neuropática (causada por lesão ou doença do sistema nervoso somatossensorial). A dor nociplástica é caracterizada por uma alteração na nocicepção central, resultando em hipersensibilidade à dor sem evidência clara de dano tecidual ou lesão nervosa. Pacientes com dor nociplástica frequentemente apresentam dor difusa e generalizada, fadiga, distúrbios do sono e problemas cognitivos. A fibromialgia é o protótipo da dor nociplástica, onde há uma amplificação dos sinais de dor no sistema nervoso central. O diagnóstico da dor nociplástica é clínico, baseado na história e exclusão de outras causas. A investigação diagnóstica extensa sem achados significativos, como no caso apresentado, é um forte indicativo. O tratamento é multimodal, envolvendo farmacoterapia (antidepressivos, gabapentinoides), terapias não farmacológicas (exercício físico, terapia cognitivo-comportamental) e educação do paciente sobre o mecanismo da dor. É crucial validar a dor do paciente e evitar a estigmatização como 'psicogênica'.
A dor nociplástica é difusa, generalizada, persistente, sem lesão tecidual ou nervosa evidente, e frequentemente associada a fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivas.
A dor neuropática resulta de lesão ou doença do sistema somatossensorial, enquanto a dor nociplástica é causada por alteração na nocicepção central, sem lesão estrutural evidente.
A fibromialgia é o exemplo clássico de dor nociplástica, mas outras condições como síndrome do intestino irritável e cefaleia tensional crônica também podem ter um componente nociplástico.
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