Dor Neuropática Pós-Cirúrgica: Manejo com Gabapentina

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 33 anos, foi submetida à cirurgia para ooforoplastia devido à massa anexial benigna. Evoluiu bem no pós-operatório imediato, mas apresentou dor na região inguinal direita que progrediu continuamente. Há 8 meses vem apresentando dor intensa no local, acompanhada de alodínia, formigamento, dor à exposição ao frio e episódios súbitos e repentinos de dor, ambos muito intensos. Tem antecedente de apendicectomia e colecistectomia. A ultrassonografia transvaginal e transabdominal não identificou alterações anatômicas significativas. Com base nestas informações, qual a opção terapêutica mais adequada?

Alternativas

  1. A) Adesiólise laparoscópica.
  2. B) Neuromodulação lombossacral.
  3. C) Gabapentina 1.800 mg ao dia.
  4. D) Canabidiol 100 mg ao dia.

Pérola Clínica

Dor inguinal pós-cirúrgica com alodínia/formigamento → Dor neuropática = Gabapentina é tratamento de primeira linha.

Resumo-Chave

A dor neuropática é caracterizada por sintomas como alodínia, formigamento e dor súbita, frequentemente após lesão nervosa cirúrgica. Na ausência de alterações anatômicas, o tratamento visa modular a transmissão da dor, sendo a gabapentina uma opção eficaz de primeira linha.

Contexto Educacional

A dor neuropática crônica é uma condição debilitante que surge de uma lesão ou doença que afeta o sistema nervoso somatossensorial. É uma complicação comum após cirurgias, especialmente aquelas que envolvem manipulação ou lesão de nervos periféricos, como a ooforoplastia, apendicectomia ou colecistectomia, que podem lesar nervos como o ilioinguinal ou ilio-hipogástrico. A fisiopatologia envolve alterações na excitabilidade neuronal, sensibilização central e periférica, e disfunção dos canais iônicos. O diagnóstico é clínico, baseado nas características da dor (queimação, choque, formigamento, alodínia, hiperalgesia) e na história de lesão nervosa. Exames de imagem são geralmente normais, servindo para excluir outras causas. O tratamento da dor neuropática é desafiador e frequentemente requer uma abordagem multimodal. Medicamentos como gabapentina e pregabalina (anticonvulsivantes que atuam nos canais de cálcio) e antidepressivos tricíclicos ou inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina são considerados de primeira linha. A dose deve ser titulada gradualmente para otimizar o efeito terapêutico e minimizar os efeitos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da dor neuropática?

A dor neuropática é frequentemente descrita como queimação, choque, formigamento, agulhada, pontada, e pode ser acompanhada de alodínia (dor a estímulos não dolorosos) e hiperalgesia (resposta exagerada a estímulos dolorosos).

Por que a gabapentina é eficaz no tratamento da dor neuropática?

A gabapentina atua modulando a liberação de neurotransmissores excitatórios e inibindo os canais de cálcio voltagem-dependentes no sistema nervoso central, o que ajuda a reduzir a hiperexcitabilidade neuronal associada à dor neuropática.

Quais outras opções terapêuticas existem para a dor neuropática crônica?

Além da gabapentina, outras opções incluem pregabalina, antidepressivos tricíclicos (amitriptilina), inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (duloxetina, venlafaxina), e em casos refratários, terapias intervencionistas ou neuromodulação.

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