Dor Neuropática Crônica: Diagnóstico e Tratamento com ISRSN

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 39 anos, trabalhando há dez anos como repositora em mercado, vem à consulta na unidade básica de saúde com quadro de dor importante em punho direito. Refere início do quadro há mais de oito meses, após trauma ao manipular embalagem de refrigerantes. Há quatro meses apresenta dor, por vezes em queimação, ou pontadas ou choques, com episódios de alodinia. Em relação ao processo de dor dessa paciente, afirma-se: I. Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina e noraepinefrina são considerados uma opção adequada para o tratamento, pois apresentam boa eficácia com componente neuropático. II. Analgésicos e anti-inflamatórios são medicações contraindicadas neste momento do quadro clínico, pois agem fundamentalmente no componente neuropático. III. O componente da dor envolvido neste momento é o nociceptivo, fazendo a modulação central da dor. Está/Estão correta(s) apenas as afirmativa(s)

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) II.
  3. C) I e III.
  4. D) II e III.

Pérola Clínica

Dor crônica com queimação, pontadas, choques e alodinia sugere componente neuropático, onde ISRSNs são eficazes.

Resumo-Chave

A descrição da dor (queimação, pontadas, choques, alodinia) é altamente sugestiva de um componente neuropático. Nesses casos, analgésicos e anti-inflamatórios tradicionais são menos eficazes, e medicamentos como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRSN) são considerados de primeira linha para o tratamento da dor neuropática.

Contexto Educacional

A dor crônica é um problema de saúde pública significativo, e a dor neuropática representa um desafio diagnóstico e terapêutico. Ela surge de uma lesão ou doença que afeta o sistema nervoso somatossensorial, resultando em uma percepção de dor alterada e frequentemente desproporcional ao estímulo. A história clínica detalhada é crucial para identificar as características sugestivas de dor neuropática. A fisiopatologia da dor neuropática envolve mecanismos complexos, como sensibilização central e periférica, alterações na excitabilidade neuronal e disfunção dos sistemas moduladores da dor. Sintomas como queimação, choque, pontadas, alodinia e hiperalgesia são marcadores importantes. A dor nociceptiva, por outro lado, é mediada pela ativação de nociceptores em resposta a danos teciduais. O tratamento da dor neuropática difere da dor nociceptiva. Analgésicos e anti-inflamatórios tradicionais são menos eficazes. As opções de primeira linha incluem antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos de recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRSN) e gabapentinoides. O manejo deve ser individualizado, muitas vezes com terapia combinada e abordagens multidisciplinares.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da dor neuropática?

A dor neuropática é frequentemente descrita como queimação, choque, pontadas, formigamento, dormência, e pode estar associada a alodinia (dor a estímulos não dolorosos) ou hiperalgesia (resposta exagerada a estímulos dolorosos).

Por que os ISRSNs são eficazes no tratamento da dor neuropática?

Os ISRSNs (como duloxetina, venlafaxina) atuam aumentando os níveis de serotonina e noradrenalina nas vias descendentes de modulação da dor no sistema nervoso central, o que ajuda a inibir a transmissão dos sinais de dor.

Qual a diferença entre dor nociceptiva e neuropática?

A dor nociceptiva resulta da ativação de nociceptores por lesão tecidual real ou potencial, enquanto a dor neuropática é causada por lesão ou doença do sistema nervoso somatossensorial, com mecanismos de sensibilização central e periférica.

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