UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente de 38 anos, técnica de laboratório, consultou por dor no punho e na mão direitos de início há 6 meses, que evoluiu para o membro superior e ombro. Referiu que a dor era incapacitante. Vinha fazendo uso de analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e corticosteroides, com benefício transitório. O exame físico geral foi normal, e o exame da região cervical revelou mobilidade preservada, apesar da dor. Não foram percebidos sinais de artrite em mãos, punhos, cotovelos, joelhos, ombros e demais articulações. Apresentava pontos de gatilho na região cervical e escapular. Sobre o caso, assinale a assertiva correta.
Dor crônica com pontos gatilho → considerar terapias intervencionistas como acupuntura e agulhamento a seco.
Em pacientes com dor crônica musculoesquelética refratária a tratamentos farmacológicos convencionais e com presença de pontos de gatilho, terapias como acupuntura, agulhamento a seco e infiltrações locais podem oferecer alívio significativo da dor e melhora funcional.
A dor miofascial crônica é uma condição comum caracterizada por dor regional persistente e a presença de pontos de gatilho, que são nódulos hiperirritáveis em bandas musculares tensas. Afeta uma parcela significativa da população, especialmente em contextos de estresse e atividades repetitivas, sendo uma causa frequente de incapacidade e busca por atendimento médico. É crucial para o residente reconhecer essa condição para um manejo adequado. A fisiopatologia envolve a formação de pontos de gatilho devido a microtraumas, sobrecarga muscular ou estresse, levando a um ciclo vicioso de contração muscular, isquemia e liberação de substâncias algogênicas. O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico, com palpação dos pontos de gatilho e reprodução da dor referida. A suspeita deve surgir em pacientes com dor localizada ou regional, com falha de tratamentos convencionais. O tratamento da dor miofascial crônica é multimodal. Além de analgésicos e anti-inflamatórios, que frequentemente oferecem alívio transitório, terapias não farmacológicas e intervencionistas são fundamentais. Acupuntura, agulhamento a seco (dry needling) e infiltrações de anestésicos locais nos pontos de gatilho são eficazes para desativar esses pontos, aliviar a dor e restaurar a função muscular. A educação do paciente, fisioterapia e exercícios de alongamento também são componentes importantes do plano terapêutico.
A dor miofascial crônica manifesta-se como dor localizada ou regional, frequentemente associada a pontos de gatilho palpáveis em bandas musculares tensas, que podem referir dor a outras áreas do corpo.
Acupuntura e agulhamento a seco atuam desativando os pontos de gatilho, promovendo relaxamento muscular, melhora do fluxo sanguíneo local e modulação da dor através de mecanismos neurofisiológicos complexos.
Os diferenciais incluem fibromialgia, radiculopatias, síndromes de compressão nervosa, artrites e outras condições musculoesqueléticas, sendo crucial uma avaliação clínica detalhada para o diagnóstico correto.
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