UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Nos quadros típicos de apendicite aguda, a dor migratória, que deixa de ser periumbilical ou difusa e se torna localizada na fossa ilíaca direita, é causada por:
Dor apendicite migra de periumbilical para FIE = irritação do peritônio parietal.
A dor inicial da apendicite é visceral e difusa (periumbilical) devido à distensão do apêndice. Com a progressão da inflamação, o apêndice irrita o peritônio parietal adjacente, que é ricamente inervado por nervos somáticos, resultando na migração e localização da dor na fossa ilíaca direita.
A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, e seu diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações. A dor abdominal é o sintoma cardinal e sua característica migratória é um achado clínico de grande valor diagnóstico. Inicialmente, a dor da apendicite é de natureza visceral. Ela é difusa, mal localizada e geralmente referida à região periumbilical ou epigástrica. Essa dor é causada pela distensão da luz do apêndice e pela inflamação da sua parede, ativando fibras nervosas viscerais que são menos específicas na localização da dor. Essa fase inicial pode ser acompanhada de anorexia, náuseas e vômitos. À medida que a inflamação progride e o apêndice edemaciado e inflamado entra em contato com o peritônio parietal adjacente (na fossa ilíaca direita), a dor muda de característica. O peritônio parietal é ricamente inervado por nervos somáticos, que são muito mais sensíveis e capazes de localizar a dor com precisão. Assim, a dor se torna mais intensa, bem localizada na fossa ilíaca direita (ponto de McBurney), e assume um caráter somático. Essa migração da dor é um sinal clássico e altamente sugestivo de apendicite aguda, indicando que a inflamação transcendeu a parede do apêndice e está irritando as estruturas peritoneais circundantes.
A dor visceral é a dor inicial, difusa e periumbilical, causada pela distensão do apêndice inflamado. A dor somática é a dor localizada e intensa na fossa ilíaca direita, resultante da irritação do peritônio parietal pelo apêndice inflamado.
A dor inicial é periumbilical porque o apêndice é uma víscera do intestino médio, e a inervação visceral dessa região é referida para a área periumbilical, sendo uma dor difusa e mal localizada.
Além da dor migratória, outros sintomas incluem náuseas, vômitos, anorexia, febre baixa, e sinais de irritação peritoneal como descompressão dolorosa (sinal de Blumberg) e dor à palpação no ponto de McBurney.
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