INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um homem de 65 anos, trabalhador rural, procura atendimento em uma unidade de atenção primária à saúde por queixa de dor na região lombar esquerda iniciada há 1 mês. A dor vem piorando progressivamente e, nos últimos dias, tem impossibilitado o sono reparador do paciente. Sua esposa se queixa de que as calças do marido estão com cheiro de urina ultimamente. Ao exame, o paciente está lúcido, colaborativo e as mucosas estão úmidas e hipocoradas. Há retificação da coluna lombar, espasmo muscular localizado e dor à palpação delicada das apófises vertebrais de L2 e L3. As manobras de elevação do membro inferior esquerdo estendido (Lasègue) e do membro inferior direito estendido (Lasègue cruzado) não reproduzem a dor. Como o paciente se queixa de dor com o decúbito ventral, o sinal de Lasègue invertido (Wasserman) foi pesquisado em pé. A extensão das coxas com o paciente em ortostatismo também não provocaram dor. Em relação a essa situação, assinale a opção que apresenta, respectivamente, o diagnóstico clínico correto e a conduta médica apropriada.
Dor lombar com 'red flags' (idade >50, dor noturna, incontinência) → suspeitar patologia grave, solicitar imagem.
A presença de 'red flags' em pacientes com dor lombar, como idade avançada, dor noturna que impede o sono, progressão da dor e, crucialmente, incontinência urinária, indica a necessidade de investigação imediata com exames de imagem para descartar causas graves como tumores, infecções, fraturas ou síndrome da cauda equina.
A dor lombar é uma queixa extremamente comum, mas é crucial para o médico de atenção primária e o residente saber diferenciar entre a dor musculoesquelética benigna e condições mais graves que exigem investigação urgente. Os 'red flags' são sinais e sintomas que alertam para a possibilidade de patologia espinhal séria, como tumores, infecções, fraturas ou síndrome da cauda equina. Neste caso, a idade avançada do paciente (>50 anos), a dor progressiva e noturna que impede o sono, a hipocromia (sugerindo anemia, comum em malignidades) e, principalmente, a incontinência urinária (indicando disfunção esfincteriana e possível comprometimento neurológico da cauda equina) são 'red flags' claros. A ausência de Lasègue e Wasserman negativos afasta radiculopatias comuns por hérnia discal, mas não exclui outras causas neurológicas ou estruturais graves. Diante desses achados, a conduta apropriada é solicitar exames de imagem da coluna lombar (como ressonância magnética) para investigar a causa subjacente. Ignorar esses sinais de alerta e tratar apenas sintomaticamente pode levar a atrasos diagnósticos e a desfechos neurológicos desfavoráveis, sendo um ponto crítico na formação médica.
Os principais 'red flags' incluem idade >50 anos, dor noturna ou em repouso, perda de peso inexplicada, história de câncer, febre, uso de imunossupressores, trauma recente, déficit neurológico progressivo e disfunção esfincteriana (incontinência).
A incontinência urinária, juntamente com a dor lombar, pode indicar compressão da cauda equina, uma emergência neurocirúrgica que, se não tratada rapidamente, pode resultar em danos neurológicos permanentes.
Condições graves incluem tumores vertebrais (primários ou metastáticos), infecções (osteomielite, discite), fraturas vertebrais (osteoporóticas ou traumáticas) e síndrome da cauda equina.
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