Manejo da Dor Lombar Crônica e Escada Analgésica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 36 anos, técnica de enfermagem, casada, com dois filhos, foi buscar uma consulta, pois tem dor lombar que iniciou há muitos anos. Ela nega fatores precipitantes. A dor evoluiu de forma intermitente, de modo que tem repercutido no sono, ocasionando dificuldade para dormir, humor lábil e irritabilidade. A paciente relata que não aguenta mais se consultar com médicos, pois eles só sabem pedir exames, porém sem elucidar a causa da dor. Acrescenta que se sente julgada pelos colegas no trabalho e tem medo de que a dor seja sinal de doença grave, pois a mãe teve câncer de mama e sofreu muito com dores antes de morrer. Além das medidas não farmacológicas, a abordagem adequada no manejo da dor inclui:

Alternativas

  1. A) Encaminhamento ao ortopedista e tratamento da dor com anti-inflamatórios (AINE) e calor.
  2. B) Encaminhamento ao reumatologista e tratamento com corticoides para alívio da dor.
  3. C) Avaliação pela escala analógica visual e tratamento conforme escada analgésica.
  4. D) Investigação com TC da coluna e tratamento com analgésicos.

Pérola Clínica

Dor crônica → Avaliação pela Escala Analógica Visual (EVA) + Tratamento escalonado conforme a Escada Analgésica da OMS.

Resumo-Chave

O manejo da dor crônica exige uma abordagem biopsicossocial, utilizando ferramentas de quantificação subjetiva (EVA) para guiar o escalonamento farmacológico e evitar exames desnecessários.

Contexto Educacional

A dor lombar crônica (duração > 12 semanas) é uma das principais causas de incapacidade funcional. A abordagem moderna foca no modelo biopsicossocial, reconhecendo que fatores emocionais, cognitivos e sociais influenciam a percepção dolorosa. No caso apresentado, a paciente demonstra sinais de sofrimento psíquico e medo de doença grave, o que amplifica a experiência da dor. A avaliação deve sempre excluir 'red flags' (perda de peso, febre, déficit neurológico, trauma). Na ausência destes, o tratamento prioriza o controle sintomático seguindo a escada analgésica da OMS, associado a medidas não farmacológicas como exercícios supervisionados, terapia cognitivo-comportamental e educação do paciente sobre a natureza benigna da dor mecânica.

Perguntas Frequentes

Como funciona a Escala Analógica Visual (EVA)?

A EVA é uma ferramenta unidimensional que permite ao paciente quantificar sua dor em uma linha de 10 cm, onde 0 significa 'sem dor' e 10 significa 'a pior dor imaginável'. É fundamental para monitorar a resposta terapêutica e objetivar uma experiência subjetiva, auxiliando na decisão de manter ou progredir o tratamento farmacológico.

Quais são os degraus da escada analgésica da OMS?

O primeiro degrau envolve analgésicos não opioides (paracetamol, dipirona) e AINEs. O segundo degrau adiciona opioides fracos (codeína, tramadol) para dor moderada. O terceiro degrau utiliza opioides fortes (morfina, fentanil, oxicodona) para dor intensa. Adjuvantes (antidepressivos, anticonvulsivantes) podem ser usados em qualquer degrau, especialmente em dores com componente neuropático.

Quando suspeitar de componentes psicossociais na dor lombar?

Deve-se suspeitar quando há discrepância entre os achados físicos e a intensidade da dor, histórico de catastrofização, medo de movimento (cinesiofobia), questões trabalhistas ou histórico familiar de doenças graves (como o câncer de mama da mãe no caso), que geram ansiedade e hipervigilância somática.

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