Dor Lombar na APS: Identifique Sinais de Alerta Amarelos

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Joana, 55 anos, vem em consulta queixando- -se de dor lombar há 7 dias. A dor se iniciou após um dia agitado, em que ajudou na organização da festa de aniversário do seu neto, tendo erguido bastante peso e brincado com as crianças. Já teve dores semelhantes anteriormente, mas sempre tomava um ibuprofeno e a dor resolvia em pouco tempo, mas desta vez não resolveu. Sobre a abordagem da dor lombar na Atenção Primária à Saúde, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Se houver descrição pela paciente de dor que irradia até a região glútea, já é possível confirmar que há associação com radiculopatia.
  2. B) Quando a dor piora com a movimentação, além da orientação do uso de antiinflamatórios, a recomendação de repouso absoluto é fundamental.
  3. C) Como é uma lombalgia de início recente, a coleta de alguns dados como a presença de febre, o uso crônico de corticóides ou uma história de câncer não é relevante, pois não mudaria a conduta.
  4. D) A presença de ideias catastróficas em relação à dor e sintomas de depressão ou pessimismo são chamados de “sinais de alerta amarelos”, sendo fatores de risco para recorrência ou cronicidade que devem ser abordados pelo médico.
  5. E) Por ser uma dor de início recente, orientações em relação à mudança de estilo de vida, como perda de peso, atividade física ou o uso de práticas integrativas e complementares (como acupuntura ou yoga) não estão indicadas por não trazerem benefício.

Pérola Clínica

Dor lombar: 'Sinais de alerta amarelos' (catastrofização, depressão) indicam risco de cronicidade e devem ser abordados na APS.

Resumo-Chave

Na abordagem da dor lombar na Atenção Primária, é fundamental identificar não apenas os 'sinais de alerta vermelhos' (red flags) que indicam patologia grave, mas também os 'sinais de alerta amarelos' (yellow flags), que são fatores psicossociais preditores de cronicidade e pior prognóstico, como crenças negativas sobre a dor, depressão e ansiedade.

Contexto Educacional

A dor lombar é uma das queixas mais comuns na Atenção Primária à Saúde, afetando uma grande parcela da população em algum momento da vida. A maioria dos casos é inespecífica e autolimitada, mas uma parcela significativa pode evoluir para cronicidade, gerando grande impacto na qualidade de vida e nos custos de saúde. O diagnóstico e manejo na APS envolvem a exclusão de causas graves (sinais de alerta vermelhos, como febre, perda de peso inexplicada, déficit neurológico progressivo, história de câncer) e a identificação de fatores de risco para cronicidade (sinais de alerta amarelos). Estes últimos incluem crenças de que a dor é grave e incapacitante, medo de movimento (cinesiofobia), baixa expectativa de recuperação, depressão, ansiedade e problemas sociais ou ocupacionais. O tratamento da lombalgia aguda inespecífica foca na educação do paciente, encorajamento à manutenção da atividade física (evitar repouso absoluto), uso de analgésicos e anti-inflamatórios por curto prazo. A abordagem dos 'sinais de alerta amarelos' é fundamental para prevenir a transição para a dor crônica, envolvendo estratégias psicossociais e, por vezes, encaminhamento para fisioterapia ou psicologia.

Perguntas Frequentes

O que são os 'sinais de alerta amarelos' na dor lombar?

Os 'sinais de alerta amarelos' são fatores psicossociais que aumentam o risco de cronicidade da dor lombar, como crenças negativas sobre a dor, medo de movimento, depressão, ansiedade, isolamento social e insatisfação no trabalho.

Por que é importante abordar os 'sinais de alerta amarelos' na dor lombar?

Abordar esses sinais é crucial porque eles são fortes preditores de cronicidade e incapacidade. O manejo deve incluir educação sobre a dor, encorajamento à atividade e, se necessário, encaminhamento para suporte psicológico.

Qual a conduta inicial para uma lombalgia aguda inespecífica na atenção primária?

A conduta inicial inclui educação do paciente, manutenção da atividade, uso de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides por curto período, e identificação de sinais de alerta vermelhos e amarelos.

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