Dor Inguinal Crônica Pós-Hernioplastia: Manejo e Causas

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 35 anos, foi submetido à hernioplastia inguinal direita, por via laparoscópica, pela técnica transabdominal pré-peritoneal. A cirurgia evoluiu sem intercorrências, e o paciente recebeu alta no 1º pós-operatório. No primeiro retorno ambulatorial, após 7 dias da cirurgia, o paciente referia dor inguinal e em face medial de coxa direita, sendo prescritos analgésicos simples para controle álgico. O paciente retorna 6 semanas após a cirurgia, com as mesmas queixas a despeito dos analgésicos prescritos. Ao exame físico, região inguinal direita sem abaulamentos, hematomas ou sinais de recidiva.O provável fator responsável pela dor e a terapia inicial mais adequada no momento são:

Alternativas

  1. A) uso de grampos cirúrgicos em região lateral aos vasos epigástricos e abaixo do trato ileopúbico; gabapentina via oral.
  2. B) ligadura inadvertida dos vasos gonadais; ultrassom Doppler de testículos.
  3. C) migração da tela cirúrgica para região abdominal; tomografia de abdome com contraste endovenoso.
  4. D) seroma adjacente à tela cirúrgica; punção guiada por ultrassom.

Pérola Clínica

Dor inguinal/face medial coxa pós-hernioplastia laparoscópica → suspeitar de lesão nervosa (ilioinguinal/ilio-hipogástrico); tratar com gabapentina.

Resumo-Chave

A dor inguinal crônica após hernioplastia laparoscópica, especialmente com irradiação para a face medial da coxa, é frequentemente causada por lesão ou aprisionamento de nervos (ilioinguinal, ilio-hipogástrico, genitofemoral) por grampos ou tela. O tratamento inicial para dor neuropática inclui gabapentina.

Contexto Educacional

A hernioplastia inguinal, seja por via aberta ou laparoscópica, é um procedimento cirúrgico comum. No entanto, uma complicação que pode impactar significativamente a qualidade de vida do paciente é a dor inguinal crônica pós-operatória, definida como dor persistente por mais de 3 a 6 meses. Essa dor é mais prevalente após abordagens laparoscópicas, como a técnica transabdominal pré-peritoneal (TAPP), e frequentemente tem um componente neuropático. A incidência varia, mas pode afetar até 10-12% dos pacientes, com 1-2% relatando dor severa e incapacitante. A fisiopatologia da dor inguinal crônica neuropática envolve a lesão, compressão ou aprisionamento de nervos da região inguinal, principalmente o nervo ilioinguinal, ilio-hipogástrico e o ramo genital do nervo genitofemoral. Isso pode ocorrer devido à dissecção cirúrgica, uso de grampos para fixação da tela, suturas ou até mesmo pela reação inflamatória à tela. A dor é tipicamente descrita como queimação, choque, pontadas ou formigamento, e pode irradiar para o escroto, lábios maiores ou face medial da coxa, dependendo do nervo afetado. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. O tratamento inicial para a dor neuropática inclui medicamentos como gabapentina ou pregabalina, que são moduladores da dor. Outras opções incluem bloqueios nervosos com anestésicos locais e corticosteroides, fisioterapia e, em casos refratários, cirurgia para neurólise ou neurectomia. A prevenção, através de técnicas cirúrgicas cuidadosas para evitar lesão nervosa e fixação da tela com menor uso de grampos, é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais nervos são mais comumente afetados na dor inguinal crônica pós-hernioplastia?

Os nervos mais frequentemente envolvidos são o ilioinguinal, ilio-hipogástrico e o ramo genital do nervo genitofemoral, que podem ser lesados ou aprisionados durante a cirurgia.

Qual o tratamento inicial para dor neuropática pós-hernioplastia?

O tratamento inicial para dor neuropática inclui medicamentos como gabapentina ou pregabalina, que atuam modulando a transmissão nervosa da dor.

Como diferenciar a dor neuropática de outras causas de dor pós-cirúrgica?

A dor neuropática é frequentemente descrita como queimação, choque, formigamento ou pontadas, e pode irradiar para áreas específicas, como a face medial da coxa, diferentemente da dor somática ou de outras complicações como seroma ou recidiva.

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