MedEvo Simulado — Prova 2025
Sr. Carlos, 45 anos, busca atendimento com queixa de dor persistente há 3 meses na região inguinal esquerda, com irradiação para a raiz da coxa ipsilateral e escroto esquerdo. Ele foi submetido a herniorrafia inguinal bilateral (técnica de Lichtenstein) há 6 meses, para correção de hérnia inguinoescrotal à direita e inguinal à esquerda. A dor é descrita como queimação, constante, piora com atividade física e não melhora com analgésicos comuns. Refere também hipoestesia na região. Ao exame físico, as cicatrizes cirúrgicas estão bem consolidadas, sem sinais flogísticos ou abaulamentos. Testículos tópicos, indolores. O reflexo cremastérico esquerdo está diminuído. Diante do quadro clínico, qual a conduta inicial mais adequada?
Dor inguinal crônica > 3 meses pós-herniorrafia + características neuropáticas = Neuralgia pós-herniorrafia → tratamento conservador com gabapentina/fisioterapia.
A dor inguinal crônica pós-herniorrafia, especialmente com características neuropáticas (queimação, irradiação, hipoestesia, diminuição do reflexo cremastérico), é altamente sugestiva de neuralgia pós-herniorrafia. A conduta inicial deve ser conservadora, com medicamentos para dor neuropática (como gabapentina) e fisioterapia, antes de considerar intervenções cirúrgicas.
A dor inguinal crônica pós-herniorrafia (DICH), definida como dor persistente por mais de 3 meses após a cirurgia, é uma complicação significativa que afeta a qualidade de vida dos pacientes. Sua incidência varia, mas é uma preocupação constante na cirurgia geral. A técnica de Lichtenstein, embora eficaz na prevenção de recidivas, pode, em alguns casos, levar à irritação ou lesão dos nervos da região inguinal (ilioinguinal, ilio-hipogástrico e genitofemoral), resultando em dor neuropática. O quadro clínico do Sr. Carlos, com dor em queimação, irradiação para coxa e escroto, hipoestesia e diminuição do reflexo cremastérico, é altamente sugestivo de neuralgia pós-herniorrafia. A ausência de sinais flogísticos ou abaulamentos afasta a hipótese de infecção ou recidiva de hérnia como causa primária da dor. A dor neuropática é caracteristicamente refratária a analgésicos comuns. A conduta inicial mais adequada para a neuralgia pós-herniorrafia é conservadora. Isso inclui o uso de medicamentos moduladores da dor neuropática, como gabapentina ou pregabalina, que atuam no sistema nervoso central para reduzir a hiperexcitabilidade neuronal. A fisioterapia também desempenha um papel importante, auxiliando na dessensibilização da área e no manejo da dor. A exploração cirúrgica para neurectomia é uma opção para casos refratários ao tratamento conservador, mas não é a conduta inicial. A ultrassonografia seria mais indicada se houvesse suspeita de recidiva.
A dor neuropática inguinal pós-herniorrafia geralmente é descrita como queimação, pontada, choque ou formigamento, com irradiação para a raiz da coxa ou escroto. Pode estar associada a hipoestesia ou hiperestesia na região inervada pelos nervos ilioinguinal, ilio-hipogástrico ou genitofemoral.
O tratamento inicial é conservador e inclui medicamentos para dor neuropática, como gabapentina ou pregabalina, e fisioterapia. Bloqueios nervosos locais com anestésicos e corticoides também podem ser utilizados.
A suspeita de recidiva de hérnia é maior se a dor for acompanhada de um abaulamento palpável na região inguinal, que pode ser redutível ou não, e se a dor tiver características mais mecânicas do que neuropáticas. A ultrassonografia pode auxiliar no diagnóstico nesses casos.
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