IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022
Uma mulher de 24 anos de idade refere dor em fossa ilíaca direita há doze horas, associada a náuseas e a vômitos. A dor não teve mudança de localização ou intensidade, porém persistiu mesmo após analgesia. Ao exame físico, presença de dor à palpação, porém sem defesa ou descompressão brusca positiva. Demais exames físicos normais. Apresentava leucócitos de 9 mil/mm³ e PCR normal. Realizou uma ultrassonografia, que não demonstrou anormalidades.Com base nesse caso hipotético e no atual guideline da Sociedade Mundial de Cirurgia de Urgência, assinale a alternativa correta.
Dor FID com exames normais e USG negativa → Observação clínica e reavaliação em 6-8h.
Em casos de dor em fossa ilíaca direita com exames laboratoriais e de imagem (USG) normais, a conduta inicial mais adequada é a observação clínica ativa e reavaliação periódica, pois a apendicite aguda pode ter apresentação atípica ou ser um diagnóstico diferencial.
A dor em fossa ilíaca direita (FID) é uma queixa comum na emergência, e a apendicite aguda é o diagnóstico mais temido. No entanto, a apresentação clínica pode ser atípica, e nem todos os casos se encaixam no quadro clássico. A abordagem diagnóstica deve ser cuidadosa para evitar tanto cirurgias desnecessárias quanto atrasos no tratamento de uma apendicite. No caso apresentado, a paciente tem dor em FID, náuseas e vômitos, mas sem sinais de irritação peritoneal (defesa, descompressão brusca positiva), leucocitose ou PCR elevados. A ultrassonografia abdominal, embora seja o exame de imagem de primeira linha para suspeita de apendicite, não demonstrou anormalidades. Nessas situações de incerteza diagnóstica, a exploração cirúrgica imediata não é mandatória. De acordo com as diretrizes atuais, como as da Sociedade Mundial de Cirurgia de Urgência (WSES), a conduta mais apropriada para pacientes com baixa probabilidade clínica de apendicite e exames complementares negativos ou inconclusivos é a observação clínica ativa. Isso envolve monitoramento rigoroso dos sinais vitais, reavaliação da dor e do exame físico em intervalos curtos (geralmente 6 a 8 horas), e, se necessário, repetição de exames laboratoriais ou realização de outros exames de imagem (como tomografia computadorizada) se houver piora clínica ou persistência da dúvida diagnóstica. A observação permite que a doença se manifeste mais claramente ou regrida espontaneamente.
A observação clínica é indicada quando há dor em fossa ilíaca direita, mas os achados clínicos, laboratoriais (leucócitos e PCR normais) e de imagem (USG negativa) não são conclusivos para apendicite aguda. A reavaliação periódica permite identificar a progressão ou regressão dos sintomas.
Não, uma ultrassonografia abdominal negativa não exclui completamente o diagnóstico de apendicite aguda, especialmente em casos iniciais ou com apêndice em localização atípica. A sensibilidade e especificidade da USG dependem da experiência do operador e das condições do paciente.
Em mulheres jovens, os diagnósticos diferenciais de dor em fossa ilíaca direita incluem apendicite aguda, cisto ovariano roto, torção de ovário, doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica, infecção do trato urinário e adenite mesentérica. A avaliação ginecológica é frequentemente necessária.
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