Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2020
Assinale a alternativa incorreta com relação à dor crônica pós-herniorrafia inguinal:
Dor crônica pós-herniorrafia → complicação comum, manejo inicial conservador, cirurgia para casos refratários.
A dor crônica pós-herniorrafia inguinal é uma complicação significativa, sendo a lesão nervosa a principal causa. O reparo laparoscópico, embora minimamente invasivo, ainda apresenta risco de lesão nervosa, especialmente se a fixação da tela não for realizada em áreas seguras, como medialmente ao trato iliopúbico para evitar o nervo genitofemoral.
A dor crônica pós-herniorrafia inguinal (DCPI) é definida como dor persistente por mais de 3 meses após a cirurgia, afetando a qualidade de vida do paciente. Sua incidência varia, mas pode chegar a 10-12% dos casos, sendo uma das complicações mais temidas. É crucial para o residente compreender a anatomia da região inguinal para minimizar o risco de lesão nervosa. A fisiopatologia da DCPI é multifatorial, envolvendo lesão nervosa direta (secção, estiramento, compressão), aprisionamento nervoso por suturas ou tela, inflamação crônica e formação de neuromas. O diagnóstico é clínico, baseado na localização e características da dor, e pode ser auxiliado por bloqueios diagnósticos. A suspeita deve surgir em qualquer paciente com dor persistente na virilha após a cirurgia. O tratamento da DCPI segue uma abordagem escalonada, começando com medidas conservadoras como analgésicos, anti-inflamatórios e neuromoduladores. Bloqueios nervosos podem ser diagnósticos e terapêuticos. Em casos refratários, a intervenção cirúrgica, como a neurectomia dos nervos afetados ou a remoção da tela, pode ser necessária, mas deve ser cuidadosamente avaliada devido aos riscos e à possibilidade de recorrência da dor.
Os nervos mais comumente lesados são o ilioinguinal, ilio-hipogástrico e o ramo genital do nervo genitofemoral. A lesão pode ocorrer por secção, compressão ou aprisionamento por suturas ou tela.
O tratamento inicial é conservador, incluindo analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides, gabapentina ou pregabalina, e bloqueios nervosos com anestésicos locais e corticosteroides. Fisioterapia também pode ser útil.
A cirurgia é considerada para casos refratários ao tratamento conservador, especialmente quando há evidência de aprisionamento nervoso. Pode envolver neurectomia dos nervos afetados e, em alguns casos, remoção da tela.
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