Dor de Crescimento em Crianças: Diagnóstico e Manejo

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022

Enunciado

Escolar de 8 anos de idade apresenta dor em membros inferiores, recorrente, difusa, preferencialmente a noite há 12 meses. Mãe relata piora com o frio e melhora com aquecimento, massagem e analgésicos comuns. Exame físico sem alterações. Em relação ao caso exposto, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) é compatível com dor recorrente benigna em membros (dor de crescimento), devendo ser orientado manter massagem, aquecimento e exercícios físicos regulares.
  2. B) existe sinal de alerta para doença orgânica, devendo ser solicitados exames complementares para afastar tumor ósseo e leucemia linfoblástica aguda.
  3. C) é compatível com dor recorrente benigna em membros (dor de crescimento), que será confirmada caso exames complementares (FAN, fator reumatoide, hemograma e VHS) estejam normais.
  4. D) deve ser investigado febre reumática com ASLO, hemograma, provas inflamatórias e ecocardiograma, já que o Brasil é um país de alto risco para esta doença.
  5. E) o fato de a dor ser bilateral torna pouco provável o diagnóstico de dor de crescimento, devendo ser investigadas causas inflamatórias e neoplásicas, além de fibromialgia juvenil. 

Pérola Clínica

Dor de crescimento → bilateral, noturna, melhora com massagem/calor, exame físico normal, sem sinais de alerta.

Resumo-Chave

A dor de crescimento é um diagnóstico de exclusão em crianças, caracterizada por dor bilateral em membros inferiores, predominantemente noturna, que melhora com massagem e calor, e com exame físico normal, sem sinais de alerta para doenças orgânicas.

Contexto Educacional

A dor de crescimento é uma condição musculoesquelética benigna e comum na infância, afetando cerca de 25% a 40% das crianças em idade escolar, geralmente entre 3 e 12 anos. Caracteriza-se por episódios de dor em membros inferiores, que podem ser angustiantes para a criança e os pais, mas não estão associados a nenhuma doença orgânica subjacente. É crucial para o pediatra e o residente saber reconhecer e diferenciar essa condição de outras causas mais graves de dor em membros. A fisiopatologia exata da dor de crescimento ainda é desconhecida, mas teorias incluem fadiga muscular, estresse mecânico nos ossos em crescimento, ou mesmo fatores psicossociais. Clinicamente, a dor é tipicamente bilateral, difusa, localizada nas coxas, panturrilhas ou atrás dos joelhos, e ocorre predominantemente à noite ou no final do dia, acordando a criança do sono. É aliviada por massagem, calor e analgésicos simples. O exame físico é invariavelmente normal, sem sinais inflamatórios, limitação de movimento ou sensibilidade localizada. O diagnóstico da dor de crescimento é clínico, baseado na história e no exame físico normal, e é um diagnóstico de exclusão. Não há exames complementares que confirmem a dor de crescimento; eles só são indicados se houver sinais de alerta que sugiram uma doença orgânica (ex: dor unilateral, dor articular, febre, perda de peso, claudicação). O manejo consiste em tranquilizar a família, explicar a natureza benigna da dor e orientar medidas de conforto, como massagens, compressas quentes e analgésicos comuns quando necessário. A condição geralmente se resolve espontaneamente com o tempo.

Perguntas Frequentes

Quais são as características típicas da dor de crescimento?

A dor de crescimento é bilateral, localizada nas coxas, panturrilhas ou atrás dos joelhos, ocorre predominantemente à noite, não limita as atividades diárias e melhora com massagem, calor e analgésicos comuns.

Quais sinais de alerta indicam que a dor em membros de uma criança pode não ser dor de crescimento?

Sinais de alerta incluem dor unilateral, dor articular, dor que impede atividades, dor matinal, febre, perda de peso, claudicação, edema, eritema, limitação de movimento, e alterações no exame físico.

Qual a conduta inicial para uma criança com dor de crescimento?

A conduta é tranquilizar os pais, explicar a natureza benigna da condição e orientar medidas sintomáticas como massagem, compressas quentes, alongamentos e analgésicos simples, se necessário.

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