SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2021
Beatriz acompanha sua filha Julia na consulta com sua médica de família, queixando se que a criança vem apresentando episódios de dores de barriga recorrentes, há cerca de três meses, pelo menos uma vez na semana, sem relação com alimentação. Demonstra preocupação porque isso já fez com que a criança tivesse que faltar à escola em algumas ocasiões, dada a intensidade da dor. Nega diarreia ou perda de peso no período. Ao examinar o abdome de Júlia, que não apresenta achados significativos, a médica questiona sobre onde costuma sentir a dor e a criança aponta a região periumbilical, o que é confirmado pela mãe. Pergunta ainda sobre mudanças recentes significativas na vida da criança e Beatriz conta sobre processo de divórcio um pouco conturbado que está vivenciando com o marido. Considerando o quadro clínico da paciente, o diagnóstico mais provável e a conduta mais indicada para o caso são:
Dor abdominal recorrente periumbilical em criança + estresse + sem sinais de alarme = Dor abdominal funcional.
Dor abdominal recorrente em crianças, especialmente periumbilical, sem sinais de alarme (perda de peso, diarreia noturna, vômitos biliosos) e associada a fatores psicossociais (estresse familiar), sugere dor abdominal funcional. A conduta inicial é tranquilizar a família e a criança sobre a natureza benigna do quadro.
A dor abdominal recorrente (DAR) é uma queixa comum na pediatria, definida como três ou mais episódios de dor abdominal em um período de três meses, que são graves o suficiente para interferir nas atividades da criança. Na maioria dos casos, a DAR é de natureza funcional, ou seja, não há uma causa orgânica identificável. O diagnóstico de dor abdominal funcional é de exclusão, após uma história clínica detalhada e exame físico normal, sem sinais de alarme (como perda de peso, febre, sangramento gastrointestinal, dor noturna). A localização periumbilical é clássica, e a associação com fatores psicossociais, como estresse familiar ou escolar, é frequente. A conduta mais indicada é a tranquilização da família e da criança, explicando a natureza benigna do quadro e a relação com o estresse. O tratamento envolve estratégias de manejo da dor, como relaxamento e terapia cognitivo-comportamental, além de abordar os fatores estressores. Evitar exames complementares desnecessários é crucial para não medicalizar o problema.
A dor abdominal funcional é tipicamente periumbilical, recorrente (pelo menos uma vez por semana por 3 meses), sem relação com alimentação ou evacuação, e não acompanhada de sinais de alarme como perda de peso ou febre.
Sinais de alarme incluem perda de peso, retardo de crescimento, febre inexplicada, vômitos biliosos, diarreia noturna, sangramento gastrointestinal, dor que acorda a criança à noite e dor localizada fora da região periumbilical.
A conduta inicial é tranquilizar a família e a criança sobre a natureza benigna do quadro, explicar a relação com o estresse e focar em estratégias de manejo da dor e do estresse, evitando exames invasivos desnecessários.
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