SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2023
Sobre a dor abdominal recorrente na criança, é correto afirmar que:
Dor abdominal recorrente em criança é real, causa sofrimento e exige abordagem empática.
A dor abdominal recorrente na criança é uma condição comum que, embora muitas vezes funcional, é uma experiência real e angustiante para a criança e sua família. É fundamental validar a dor do paciente e não minimizá-la, buscando uma abordagem empática e multidisciplinar.
A dor abdominal recorrente (DAR) é uma queixa comum na pediatria, afetando cerca de 10-20% das crianças em idade escolar. É definida como três ou mais episódios de dor abdominal suficientemente graves para interferir nas atividades da criança, ocorrendo em um período de três meses. Embora a maioria dos casos seja de etiologia funcional (sem causa orgânica identificável), a dor é real e gera significativo sofrimento para a criança e seus familiares, impactando a qualidade de vida. O diagnóstico da DAR funcional é de exclusão, após a investigação de causas orgânicas, especialmente na presença de 'sinais de alerta' (red flags) como perda de peso, febre, sangramento gastrointestinal, dor noturna ou localizada. As parasitoses, embora comuns, raramente são a principal causa de DAR funcional, e a localização da dor é tipicamente periumbilical, não supra púbica. A realização de exames de imagem deve ser guiada pela presença de sinais de alerta, não sendo recomendada de rotina na ausência deles. O manejo da DAR funcional deve ser holístico e empático, focando em validar a dor da criança e da família. Inclui educação sobre a natureza funcional da dor, estratégias de enfrentamento, modificações dietéticas, manejo do estresse e, em alguns casos, terapia cognitivo-comportamental ou medicamentos para alívio sintomático. O objetivo é melhorar a qualidade de vida e o funcionamento diário da criança.
A dor abdominal recorrente funcional é caracterizada por episódios de dor abdominal que ocorrem pelo menos uma vez por semana por dois meses, sem evidência de doença orgânica subjacente. Geralmente é periumbilical, difusa e não se associa a sinais de alerta.
É crucial validar a dor porque, mesmo que funcional, ela é uma experiência real e causa grande sofrimento para a criança e seus familiares. A validação ajuda a estabelecer confiança e a iniciar um plano de manejo eficaz, que pode incluir estratégias de enfrentamento e suporte psicológico.
Sinais de alerta incluem perda de peso, desaceleração do crescimento, febre inexplicada, vômitos persistentes, diarreia crônica grave, sangramento gastrointestinal, dor que acorda a criança à noite, dor localizada fora da região periumbilical e história familiar de doença inflamatória intestinal.
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