SMS Lucas do Rio Verde - Secretaria Municipal de Saúde (MT) — Prova 2020
Dor abdominal recorrente é uma queixa frequente no atendimento às crianças, mas também aos adolescentes. Em relação a essa queixa, qual das alternativas a seguir está ERRADA.
Dor abdominal recorrente pediátrica: <10% orgânica; investigação inicial NÃO inclui endoscopia.
A dor abdominal recorrente em crianças é predominantemente funcional, com causas orgânicas sendo raras. A investigação deve ser gradual, começando com anamnese e exame físico detalhados, e exames complementares direcionados apenas se houver sinais de alarme. Endoscopia é um exame invasivo e não é de rotina inicial.
A dor abdominal recorrente (DAR) é uma queixa comum na pediatria, afetando cerca de 10-20% das crianças em idade escolar e adolescentes. É definida como três ou mais episódios de dor abdominal em um período de três meses, com intensidade suficiente para interferir nas atividades diárias. A importância clínica reside na necessidade de diferenciar as causas funcionais, que são a grande maioria (mais de 90%), das causas orgânicas, que, embora raras, exigem tratamento específico. A fisiopatologia da DAR funcional envolve uma interação complexa entre fatores genéticos, ambientais, psicossociais e alterações no eixo cérebro-intestino, resultando em hipersensibilidade visceral e dismotilidade. O diagnóstico é clínico, baseado em anamnese detalhada, exame físico completo e exclusão de sinais de alarme. A localização periumbilical é clássica para dor funcional. Exames complementares devem ser solicitados apenas se houver sinais de alarme, como perda de peso, vômitos biliosos, sangramento gastrointestinal, dor noturna ou retardo de crescimento. O tratamento da DAR funcional é multidisciplinar, focando na educação da família, manejo do estresse, dieta e, em alguns casos, terapia cognitivo-comportamental. O prognóstico é geralmente bom, mas a dor pode persistir na vida adulta em uma parcela dos pacientes. É crucial evitar exames invasivos desnecessários, como a endoscopia, que não são indicados como investigação inicial e podem aumentar a ansiedade da criança e da família.
Sinais de alarme incluem perda de peso, retardo de crescimento, vômitos persistentes, diarreia crônica, sangramento gastrointestinal, dor noturna que acorda a criança, disfagia, artralgia e história familiar de doença inflamatória intestinal.
A endoscopia é indicada apenas em casos selecionados, após uma investigação inicial negativa e na presença de sinais de alarme persistentes ou suspeita de doença orgânica específica, como doença celíaca ou esofagite eosinofílica.
A principal causa é a dor abdominal funcional, que não possui uma causa orgânica identificável e é frequentemente associada a fatores psicossociais e alterações na motilidade ou sensibilidade intestinal.
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