HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2020
Assinale a alternativa INCORRETA em relação às orientações que devem ser feitas para as famílias de crianças com diagnóstico de Dor Abdominal Recorrente Funcional (DARF):
DARF é benigna; foco em neutralizar estresse, suspender ganhos secundários e manter atividades normais pós-crise.
A Dor Abdominal Recorrente Funcional (DARF) é uma condição benigna, sem causa orgânica identificável, e a orientação familiar deve focar na desmistificação da gravidade, no manejo do estresse, na evitação de ganhos secundários e na manutenção da rotina da criança para evitar a cronificação e o impacto psicossocial.
A Dor Abdominal Recorrente Funcional (DARF) é uma condição comum na infância e adolescência, caracterizada por episódios de dor abdominal que ocorrem por pelo menos 3 meses, sem evidência de doença orgânica subjacente após investigação adequada. É um diagnóstico de exclusão, e sua prevalência é significativa, impactando a qualidade de vida da criança e da família. A fisiopatologia da DARF é multifatorial, envolvendo uma interação complexa entre fatores biológicos (como dismotilidade gastrointestinal e hipersensibilidade visceral), psicológicos (ansiedade, estresse) e sociais. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, após exclusão de causas orgânicas. É crucial que o médico transmita à família a benignidade do quadro, validando a dor da criança, mas sem reforçar o comportamento de doença. O tratamento da DARF é focado no manejo não farmacológico, incluindo psicoeducação da família, identificação e manejo de fatores estressores, e estratégias para que a criança mantenha suas atividades diárias. É fundamental evitar ganhos secundários à dor e promover o retorno imediato às atividades após as crises, incentivando a resiliência e a adaptação. Em alguns casos, terapias cognitivo-comportamentais e acompanhamento psicológico podem ser benéficos.
A família deve ser orientada sobre a benignidade da DARF, explicando que não há uma causa orgânica grave e que a dor é real, mas não ameaça a vida da criança. É fundamental desmistificar a condição.
Fatores como problemas escolares, conflitos familiares, bullying, ansiedade e eventos estressantes podem desencadear ou exacerbar a DARF. A identificação e neutralização desses fatores são parte importante do manejo.
Os ganhos secundários, como maior atenção, privilégios ou dispensa de atividades, podem reforçar o comportamento de doença. Suspender esses ganhos ajuda a criança a retomar suas atividades normais e a lidar com a dor de forma mais adaptativa.
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