Dor Abdominal Recorrente Funcional em Crianças: Diagnóstico e Manejo

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Menina de nove anos é levada ao pediatra devido a quadro de dor abdominal esporádica, mensal que a faz ausentar-se da escola. A dor é referida na região periumbilical e dura poucas horas. Não surge durante o sono, não se relaciona com alimentação, atividade física ou posição, e cede espontaneamente. A história pregressa revela cólicas nos primeiros meses de vida, sem outros comemorativos. Seu pediatra já solicitou parasitológico de fezes, pesquisa de sangue oculto nas fezes, pesquisa de elementos anormais e sedimento de urina, urinocultura, hemograma e VHS, além de radiografia e ultrassonografia de abdome, todos normais. O exame físico é normal. A hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) Intolerância à lactose;
  2. B) Divertículo de Meckel;
  3. C) Enxaqueca abdominal;
  4. D) Doença inflamatória intestinal;
  5. E) Dor abdominal recorrente funcional.

Pérola Clínica

Dor abdominal recorrente em criança, sem sinais de alarme e exames normais → Dor Abdominal Recorrente Funcional (DAFR).

Resumo-Chave

A Dor Abdominal Recorrente Funcional (DAFR) é um diagnóstico de exclusão em crianças com dor abdominal crônica, caracterizada por ausência de sinais de alarme, exames complementares normais e impacto na qualidade de vida, como faltas escolares.

Contexto Educacional

A dor abdominal recorrente (DAR) é uma queixa comum na pediatria, afetando cerca de 10-20% das crianças em idade escolar. Quando não há uma causa orgânica identificável após uma investigação clínica e laboratorial adequada, o diagnóstico mais provável é a Dor Abdominal Recorrente Funcional (DAFR). Esta condição é classificada dentro dos Distúrbios da Interação Intestino-Cérebro (DIIIC), anteriormente conhecidos como distúrbios funcionais gastrointestinais. A DAFR é caracterizada por dor abdominal que ocorre pelo menos uma vez por semana por dois meses, sem sinais de alarme e com exames complementares normais. A dor é frequentemente periumbilical, não se relaciona com o sono, alimentação ou atividade física, e cede espontaneamente, mas impacta a qualidade de vida da criança, como faltas escolares. A fisiopatologia envolve uma combinação de fatores genéticos, psicossociais e alterações na motilidade gastrointestinal, sensibilidade visceral e microbiota intestinal. O manejo da DAFR é multifacetado e deve começar com uma boa anamnese e exame físico para excluir causas orgânicas, evitando exames desnecessários que aumentam a ansiedade. É crucial validar a dor da criança e da família, explicar a natureza funcional da condição e focar em estratégias de enfrentamento, como terapia cognitivo-comportamental, técnicas de relaxamento e, em alguns casos, intervenções dietéticas ou farmacológicas. O objetivo é melhorar a qualidade de vida e o funcionamento diário da criança.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de Dor Abdominal Recorrente Funcional (DAFR) em crianças?

O diagnóstico de DAFR é feito pela presença de dor abdominal crônica e recorrente por pelo menos 2 meses, sem evidência de doença orgânica após investigação apropriada, e que interfere nas atividades diárias da criança.

Quais sinais de alarme devem ser investigados em crianças com dor abdominal recorrente?

Sinais de alarme incluem perda de peso, retardo de crescimento, febre, vômitos persistentes, disfagia, sangramento gastrointestinal, dor que acorda a criança à noite, dor localizada fora da região periumbilical e história familiar de doença inflamatória intestinal.

Como é o manejo da Dor Abdominal Recorrente Funcional em crianças?

O manejo envolve educação da família e da criança, validação da dor, estratégias de enfrentamento, terapia cognitivo-comportamental, e, em alguns casos, medicamentos para controle sintomático, como probióticos ou antidepressivos em baixas doses.

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