Dor Abdominal Pós-Colecistectomia: Investigação e CPRM

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021

Enunciado

Um paciente de 80 anos refere queixas de crises recorrentes de dor abdominal alta nos últimos seis meses. Em algumas dessas crises, chegou a ter febre e calafrios, mas nega icterícia e colúria. Como antecedentes, relatava consumo alcoólico diário no passado, estando abstêmio há 10 anos, hipertensão controlada com losartan e passado de colecistectomia laparoscópica há cinco anos. A tabela abaixo mostra a evolução dos exames bioquímicos nos últimos meses. A ultrassonografia mostrou um fígado de volume normal, com textura heterogênea e sem dilatação de vias biliares.Com relação ao quadro descrito, que exame seria mais útil para elucidação do diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Anti-HCV
  2. B) Colangiografia por ressonância magnética
  3. C) Tomografia computadorizada com contraste para visualização do pâncreas
  4. D) Endoscopia digestiva alta
  5. E) Duodenoscopia para visualização da papila

Pérola Clínica

Dor abdominal alta recorrente + febre/calafrios + colecistectomia prévia + USG normal → suspeitar de patologia biliar/pancreática oculta. CPRM é o exame chave.

Resumo-Chave

Em pacientes com dor abdominal recorrente, febre e calafrios, especialmente após colecistectomia e com ultrassonografia normal, deve-se investigar causas de obstrução biliar ou pancreática que podem não ser visíveis em exames iniciais. A colangiografia por ressonância magnética (CPRM) é um exame não invasivo de alta sensibilidade para avaliar as vias biliares e o ducto pancreático.

Contexto Educacional

A dor abdominal alta recorrente em pacientes idosos, especialmente com histórico de consumo alcoólico e colecistectomia prévia, exige uma investigação cuidadosa. Embora a ultrassonografia seja o exame inicial, sua sensibilidade para detectar patologias finas das vias biliares ou do pâncreas pode ser limitada, especialmente na ausência de dilatação evidente. A presença de febre e calafrios sugere um processo inflamatório ou infeccioso, como colangite, mesmo sem icterícia evidente. A história de consumo alcoólico, mesmo que remoto, levanta a possibilidade de pancreatite crônica. A colecistectomia prévia não exclui a formação de cálculos no ducto biliar comum (coledocolitíase) ou a disfunção do esfíncter de Oddi. Nesse contexto, a Colangiografia por Ressonância Magnética (CPRM) é o exame de escolha devido à sua alta capacidade de detalhar a anatomia das vias biliares e do ducto pancreático de forma não invasiva, identificando cálculos, estenoses ou outras anomalias que justificariam os sintomas. É um passo diagnóstico crucial antes de considerar procedimentos mais invasivos como a CPRE.

Perguntas Frequentes

Quais as principais causas de dor abdominal após colecistectomia?

As causas comuns de dor abdominal após colecistectomia incluem coledocolitíase residual ou de novo, disfunção do esfíncter de Oddi, pancreatite, síndrome do intestino irritável e outras condições gastrointestinais não relacionadas diretamente à cirurgia biliar.

Por que a Colangiografia por Ressonância Magnética (CPRM) é útil neste cenário?

A CPRM é um método não invasivo que oferece excelente visualização das vias biliares intra e extra-hepáticas e do ducto pancreático, sendo capaz de detectar cálculos, estenoses, dilatações ou outras anomalias que podem não ser vistas na ultrassonografia convencional.

Quando a CPRE seria indicada em vez da CPRM?

A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) é um procedimento invasivo com riscos, sendo geralmente reservada para casos onde há necessidade de intervenção terapêutica, como remoção de cálculos, dilatação de estenoses ou biópsias, após a confirmação diagnóstica pela CPRM.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo