São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025
Uma paciente de 30 anos chega à UBS relatando dor abdominal difusa há quatro dias, associada a náuseas e perda de apetite. Ela não apresenta febre ou sinais de desidratação, mas está visivelmente desconfortável. Os exames laboratoriais iniciais e ultrassonografia são inconclusivos. O médico considera as causas mais comuns de dor abdominal na Atenção Primária e busca uma abordagem para o seguimento do caso. Qual é a conduta mais apropriada para essa paciente?
Dor abdominal inespecífica em APS sem sinais de alarme → manejo sintomático e reavaliação.
Em atenção primária, a maioria das dores abdominais agudas inespecíficas é autolimitada. A conduta inicial deve focar no alívio sintomático e na observação, com orientação para retorno em caso de piora ou surgimento de novos sinais de alarme, evitando exames desnecessários ou encaminhamentos precipitados.
A dor abdominal inespecífica é uma das queixas mais comuns na atenção primária, representando um desafio diagnóstico devido à sua vasta gama de causas potenciais, desde condições benignas e autolimitadas até emergências cirúrgicas. A prevalência é alta, e a abordagem inicial visa excluir condições graves e proporcionar alívio sintomático, enquanto se mantém vigilância para a evolução do quadro. É fundamental para o médico generalista dominar a avaliação e o manejo desses casos. A fisiopatologia da dor abdominal inespecífica é heterogênea, envolvendo fatores viscerais, somáticos e psicogênicos. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na anamnese detalhada e exame físico. A suspeita de condições mais graves deve ser guiada pela presença de sinais de alarme, como febre, instabilidade hemodinâmica, peritonismo, desidratação grave ou dor localizada intensa. Na ausência desses sinais, exames complementares iniciais (hemograma, PCR, ultrassonografia) podem ser úteis, mas muitas vezes são inconclusivos. O tratamento da dor abdominal inespecífica na atenção primária foca no manejo sintomático com analgésicos e antieméticos, além de orientações sobre dieta e hidratação. A reavaliação é um pilar essencial da conduta, permitindo identificar a progressão da doença ou o surgimento de sinais de alarme que justifiquem uma investigação mais aprofundada ou encaminhamento. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos casos resolvendo-se espontaneamente. Evitar exames invasivos ou desnecessários é crucial para não sobrecarregar o sistema de saúde e minimizar riscos ao paciente.
Sinais de alarme incluem febre alta, instabilidade hemodinâmica, desidratação grave, dor localizada e intensa, peritonismo, sangramento gastrointestinal, icterícia, perda de peso inexplicada e massa abdominal palpável.
A reavaliação é crucial para identificar a evolução do quadro, o surgimento de novos sintomas ou sinais de alarme que possam indicar uma condição mais grave que não era aparente inicialmente, permitindo a mudança da conduta.
A diferenciação inicial é clínica. Gastrite geralmente cursa com dor epigástrica, náuseas e dispepsia. SII apresenta dor abdominal crônica, associada a alterações do hábito intestinal e melhora com a evacuação, sem sinais de alarme. O diagnóstico definitivo muitas vezes requer exclusão de outras causas.
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