HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022
Uma senhora de 62 anos procura o pronto-socorro por dor abdominal em mesogástrio há 1 dia. A dor tem irradiação para todo o abdômen. Nega náuseas e vômitos, febre ou sintomas urinários. Tem diarreia desde o início do quadro. É portadora de úlceras venosas em membros inferiores, fazendo uso de anti-inflamatórios há 18 meses, para controlar a dor em úlcera maleolar. Sinais vitais: FC: 88 bpm, frequência respiratória: 16 irpm, PA: 100 × 60 mmHg. O abdômen não é doloroso à palpação. Não tem sinais de irritação peritoneal. Hemoglobina: 12,7 g/dL, leucócitos: 8.630/mm³, plaquetas: 278.000/mm3, PCR: 45 mg/L, ureia: 24 mg/dL, creatinina: 0,68 mg/dL, Na+: 138 mEq/L, K+: 3,8 mEq/L, bilirrubina total: 0,41 mg/dL, bilirrubina indireta: 0,17 mg/dL, gama-GT: 87 U/L, fosfatase alcalina: 86 U/L, amilase: 29 U/L, lipase: 18 U/L, INR: 1,01, R (TTPA): 0,84.A melhor conduta para esta paciente é:
Dor abdominal difusa + diarreia + AINEs crônicos + sem sinais de alarme → Conduta expectante e sintomática inicial.
Em pacientes com dor abdominal difusa e diarreia, especialmente com histórico de uso crônico de AINEs, e sem sinais de irritação peritoneal, febre, instabilidade hemodinâmica ou alterações laboratoriais significativas, a conduta inicial pode ser sintomática e observação. A enteropatia por AINEs é uma possibilidade, mas a ausência de sinais de gravidade permite uma abordagem menos invasiva inicialmente.
A dor abdominal é uma das queixas mais comuns no pronto-socorro e na atenção primária, apresentando um amplo espectro de causas, desde condições benignas e autolimitadas até emergências cirúrgicas. A epidemiologia da dor abdominal inespecífica é alta, representando uma parcela significativa das consultas. A importância clínica reside na necessidade de uma avaliação cuidadosa para diferenciar quadros graves dos benignos, evitando investigações excessivas ou, inversamente, a subestimação de condições perigosas. A fisiopatologia da dor abdominal inespecífica pode ser multifatorial, incluindo distúrbios funcionais, efeitos colaterais de medicamentos (como AINEs, que podem causar gastrite, enteropatia ou até úlceras), ou infecções virais autolimitadas. O diagnóstico é baseado na anamnese detalhada, exame físico minucioso e exames laboratoriais básicos. A suspeita de uma condição benigna aumenta na ausência de sinais de alarme, como febre, instabilidade hemodinâmica, sinais de irritação peritoneal ou alterações laboratoriais significativas (leucocitose, PCR muito elevada). O tratamento para a dor abdominal inespecífica, na ausência de sinais de alarme, é frequentemente sintomático e de observação. Isso inclui analgesia, hidratação e reavaliação clínica periódica. Exames de imagem mais complexos, como ultrassonografia ou tomografia, são reservados para pacientes com achados mais específicos ou persistência/piora dos sintomas. É crucial orientar o paciente sobre os sinais de alerta para retorno ao serviço de saúde, garantindo um manejo seguro e eficaz.
Sinais de alarme incluem febre, instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), sinais de irritação peritoneal (dor à descompressão, defesa), vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal, icterícia, massa abdominal palpável, ou alterações significativas em exames laboratoriais (leucocitose importante, acidose metabólica).
O uso crônico de AINEs pode causar enteropatia por AINEs, que se manifesta com dor abdominal, diarreia, perda de sangue oculta e até úlceras ou estenoses no intestino delgado. Os AINEs danificam a mucosa gastrointestinal ao inibir a ciclooxigenase, reduzindo a produção de prostaglandinas protetoras.
A radiografia simples de abdômen tem utilidade limitada na dor abdominal inespecífica. É mais indicada para suspeita de obstrução intestinal (níveis hidroaéreos, alças dilatadas) ou perfuração de víscera oca (pneumoperitônio), condições que não parecem ser o caso desta paciente.
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