Dor Abdominal em Idoso: Abordagem Diagnóstica e Conduta

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, 76 anos, hipertenso e cardiopata, com dor abdominal em fossa ilíaca direita, há 3 dias, de fraca intensidade que piora com a alimentação associado à febre de 38,5ºC e disúria. Negava alteração do hábito intestinal. Ao exame, apresentava-se taquicárdico, afebril com abdômen distendido e doloroso difusamente à palpação. Os resultados de exames laboratoriais iniciais foram: leucograma de 11300 células/mL; leucocitúria de 14500 células/mL; creatinina de 1,2 mg/dL; AST de 18 U/L; ALT de 21 U/L; amilase de 58 U/L e proteína C reativa de 19,5 mg/dL. A conduta mais apropriada é:

Alternativas

  1. A) Realizar laparotomia de urgência por se tratar de caso obviamente cirúrgico.
  2. B) Solicitar tomografia abdominal com contraste VO e EV para elucidação diagnóstica.
  3. C) Solicitar ultrassom abdominal para elucidação diagnóstica por ser método de imagem inicial menos invasivo que a tomografia abdominal com contraste.
  4. D) Colher cultura de urina e iniciar antibioticoterapia de amplo espectro para o tratamento da infecção urinária.
  5. E) Iniciar jejum, antibioticoterapia de amplo espectro, analgesia e acompanhamento intensivo do caso.

Pérola Clínica

Dor abdominal + febre + disúria em idoso → investigar causas abdominais e urinárias; TC abdominal é chave diagnóstica.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com dor abdominal, febre e sintomas urinários, o diagnóstico diferencial é amplo e pode incluir condições graves como diverticulite, apendicite atípica, colecistite ou pielonefrite. A tomografia abdominal com contraste é o exame de imagem mais completo para elucidar a causa, especialmente em quadros complexos.

Contexto Educacional

A dor abdominal em pacientes idosos é um desafio diagnóstico devido à apresentação atípica das doenças e à presença de múltiplas comorbidades. Condições graves como diverticulite, isquemia mesentérica e apendicite podem se manifestar de forma sutil, com dor de fraca intensidade e sinais inflamatórios menos exuberantes. A presença de febre e disúria, embora sugira infecção urinária, não exclui outras patologias abdominais concomitantes ou primárias. A avaliação inicial deve incluir uma história clínica detalhada, exame físico completo e exames laboratoriais. No entanto, para a elucidação diagnóstica de um quadro complexo como o descrito, a tomografia abdominal com contraste oral e intravenoso é o método de imagem mais apropriado. Ela permite visualizar com precisão as estruturas abdominais e pélvicas, identificar inflamações, abscessos, perfurações, obstruções e outras alterações que podem justificar o quadro clínico. A conduta precoce e precisa é fundamental em idosos, pois o atraso no diagnóstico e tratamento de condições abdominais agudas pode levar a desfechos desfavoráveis. Embora a infecção urinária deva ser tratada, a investigação de outras causas de abdome agudo é imperativa para evitar a progressão de doenças potencialmente fatais.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de dor abdominal em idosos com febre?

As principais causas incluem diverticulite, colecistite, apendicite (com apresentação atípica), isquemia mesentérica, obstrução intestinal e infecções urinárias complicadas como pielonefrite.

Por que a tomografia abdominal com contraste é o exame de escolha neste cenário?

A tomografia abdominal com contraste oferece alta sensibilidade e especificidade para identificar diversas patologias abdominais e pélvicas, incluindo inflamações, abscessos, massas e alterações vasculares, sendo superior ao ultrassom para avaliação de estruturas retroperitoneais e em pacientes com distensão.

Como a apresentação clínica da dor abdominal difere em idosos?

Em idosos, a dor abdominal pode ser menos intensa, mais difusa e os sinais de peritonite podem ser atenuados. Sintomas como febre e leucocitose podem ser menos proeminentes ou ausentes, tornando o diagnóstico mais desafiador.

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