Dor Abdominal Funcional Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023

Enunciado

MCS, sexo masculino, seis anos, apresenta história de dor abdominal há quatro meses. A dor ocorre uma vez por semana, na região periumbilical com irradiação para epigástrio, durando de minutos até algumas horas. Mãe refere que a dor não se relaciona com alimentação, cedendo espontaneamente na maioria das vezes. Entretanto, a criança geralmente para com as suas atividades habituais durante os períodos de dor. Apresentou cólicas aos três meses de vida, que sumiram espontaneamente. Nega febre, perda de peso, alterações do hábito intestinal. Exame físico: criança eutrófica, sem alterações. A hipótese diagnóstica mais provável, dentre as abaixo, é

Alternativas

  1. A) doença celíaca.
  2. B) intolerância a lactose.
  3. C) parasitose.
  4. D) dor abdominal funcional.

Pérola Clínica

Dor abdominal crônica em criança, sem sinais de alarme (febre, perda de peso, vômitos, diarreia, sangue nas fezes, exame físico alterado) → Dor Abdominal Funcional.

Resumo-Chave

A dor abdominal crônica e recorrente em crianças, sem sinais de alarme (febre, perda de peso, vômitos, diarreia, sangue nas fezes) e com exame físico normal, é altamente sugestiva de dor abdominal funcional. Os critérios de Roma IV auxiliam no diagnóstico, que é de exclusão, após descartar causas orgânicas.

Contexto Educacional

A dor abdominal funcional (DAF) é uma das queixas mais comuns na pediatria, afetando uma parcela significativa de crianças e adolescentes. Caracteriza-se por dor abdominal crônica ou recorrente que não pode ser explicada por uma doença orgânica subjacente, após uma investigação clínica e laboratorial apropriada. É essencial para residentes compreenderem que a DAF é uma condição real, resultante de uma disfunção na interação cérebro-intestino, e não uma invenção da criança ou dos pais. O diagnóstico da DAF é clínico e baseia-se nos Critérios de Roma IV, que definem subtipos como a síndrome do intestino irritável, dispepsia funcional e dor abdominal funcional não especificada. A chave para o diagnóstico é a ausência de "sinais de alarme", que incluem perda de peso, febre inexplicada, vômitos biliosos ou persistentes, diarreia crônica grave, sangramento gastrointestinal, disfagia, dor que acorda a criança à noite, e achados anormais no exame físico ou laboratorial. A presença de qualquer um desses sinais exige uma investigação mais aprofundada para descartar causas orgânicas. O manejo da DAF é multifacetado e visa melhorar a qualidade de vida da criança. Inclui educação e tranquilização da família, estratégias de enfrentamento da dor, modificações dietéticas (como dieta FODMAP em alguns casos), terapia cognitivo-comportamental, e, em situações selecionadas, o uso de medicamentos como probióticos, antiespasmódicos ou baixas doses de antidepressivos. Evitar exames invasivos desnecessários é crucial para não medicalizar excessivamente a criança e evitar o ciclo de ansiedade e dor.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme que indicam uma causa orgânica para dor abdominal em crianças?

Sinais de alarme incluem perda de peso, desaceleração do crescimento, febre inexplicada, vômitos persistentes, diarreia crônica grave, sangue nas fezes, dor que acorda a criança à noite, disfagia, artralgia, e achados anormais no exame físico.

Como é feito o diagnóstico de dor abdominal funcional em pediatria?

O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, que incluem dor abdominal recorrente por pelo menos 2 meses, sem evidência de doença orgânica que a explique, e que afeta as atividades diárias da criança.

Qual a abordagem terapêutica para a dor abdominal funcional?

O tratamento é multidisciplinar, focando na educação dos pais e da criança, manejo do estresse, terapia cognitivo-comportamental, e, em alguns casos, uso de probióticos ou medicamentos para modular a motilidade ou sensibilidade intestinal, sempre com acompanhamento.

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