Dor Abdominal Crônica em Crianças: Diagnóstico Funcional

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menina,8a, comparece com a mãe ao ambulatório de pediatria com queixa de dor abdominal há um ano. Relata dor difusa no abdome, com episódios mensais a quinzenais, medicada com dipirona e repouso no quarto, por uma a duas horas. Refere dor de cabeça associada à dor abdominal. Nega relação com jejum, com a ingestão de alimentos e nega também a associação com algum alimento específico. Refere ter retirado lactose e glúten da dieta, sem melhora. Refere hábito intestinal diário (Bristol 4). Nega diarreia, vômitos, emagrecimento, sintomas urinários e apresenta ganho pondero estatural adequado. Exame físico: sem alterações, com peso, estatura e desenvolvimento puberal adequados para a idade (M1P1). Ultrassonografia abdominal sem alterações.A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Dor abdominal crônica em criança, sem sinais de alarme e exames normais → suspeitar de dor abdominal funcional.

Resumo-Chave

Em crianças com dor abdominal crônica, a ausência de sinais de alarme (como perda de peso, vômitos persistentes, diarreia noturna, sangramento gastrointestinal) e exames complementares normais direciona o diagnóstico para dor abdominal funcional, que inclui a síndrome do intestino irritável e a enxaqueca abdominal.

Contexto Educacional

A dor abdominal crônica é uma queixa comum na pediatria, afetando uma parcela significativa de crianças e adolescentes. Quando não há evidência de doença orgânica subjacente após uma investigação apropriada, a condição é classificada como dor abdominal funcional (DAF). A DAF é um transtorno da interação intestino-cérebro, onde fatores psicossociais e alterações na motilidade e sensibilidade intestinal desempenham um papel crucial. É fundamental para o médico identificar os sinais de alarme que indicam uma causa orgânica, como perda de peso, sangramento gastrointestinal, vômitos persistentes, febre ou dor que acorda a criança à noite. O diagnóstico de DAF é clínico, baseado nos Critérios de Roma IV, que definem subtipos como síndrome do intestino irritável (SII), dispepsia funcional e enxaqueca abdominal. A história clínica detalhada, incluindo características da dor, sintomas associados, hábitos intestinais e fatores psicossociais, é essencial. O exame físico e exames complementares (hemograma, PCR, VHS, parasitológico de fezes, USG abdominal) são realizados para excluir causas orgânicas, mas devem ser limitados na ausência de sinais de alarme para evitar medicalização excessiva e ansiedade. O tratamento da DAF é multifacetado e visa melhorar a qualidade de vida da criança. Inclui educação do paciente e da família sobre a natureza benigna da condição, estratégias de enfrentamento da dor, manejo do estresse, terapia cognitivo-comportamental e, em alguns casos, uso de medicamentos para alívio sintomático (ex: antiespasmódicos, probióticos, ou antidepressivos em baixas doses para modular a dor). O foco é no retorno às atividades diárias e na redução do impacto da dor na vida da criança, sem a necessidade de dietas de exclusão rigorosas sem indicação clara.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme em crianças com dor abdominal crônica?

Sinais de alarme incluem perda de peso, desaceleração do crescimento, vômitos biliosos ou persistentes, diarreia crônica ou noturna, sangramento gastrointestinal, disfagia, dor que acorda a criança à noite, febre inexplicada, artralgia, úlceras orais, história familiar de doença inflamatória intestinal ou doença celíaca.

Como a enxaqueca abdominal se manifesta em crianças?

A enxaqueca abdominal é um distúrbio funcional caracterizado por episódios de dor abdominal periumbilical aguda e intensa, geralmente acompanhada de náuseas, vômitos, palidez e cefaleia. Os episódios são paroxísticos e podem durar horas, com períodos assintomáticos entre eles.

Qual a abordagem inicial para o manejo da dor abdominal funcional em crianças?

A abordagem inicial envolve tranquilizar a família, explicar a natureza funcional da dor, focar na melhora da qualidade de vida e no retorno às atividades normais. Pode-se usar terapias comportamentais, como técnicas de relaxamento, e, em alguns casos, medicamentos para controle de sintomas, como antiespasmódicos ou antidepressivos em baixas doses.

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