HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025
Um menino de 12 anos tem ataques recorrentes inexplicáveis de dor abdominal intensos nos últimos 2 anos, não se resolvendo durante as férias; exame físico e exames laboratoriais são normais. Dos seguintes, o fator de risco que é MENOS provavelmente associado a esse transtorno é:
Dor abdominal funcional em crianças = forte associação com fatores psicossociais e estresse, não com frequência escolar.
Transtornos de dor abdominal funcional em crianças são complexos e multifatoriais, com forte ligação ao eixo cérebro-intestino. Fatores psicossociais como estresse, trauma e conflitos familiares são reconhecidos como importantes fatores de risco para o desenvolvimento e exacerbação desses quadros.
A dor abdominal funcional em crianças é um desafio diagnóstico e terapêutico comum na pediatria, caracterizada por dor abdominal crônica ou recorrente sem uma causa orgânica identificável. Esses transtornos, classificados pelos Critérios de Roma IV, representam uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. É vital que residentes e estudantes de medicina compreendam que, embora a dor não tenha uma causa estrutural, ela é real e impacta significativamente a qualidade de vida da criança. A fisiopatologia envolve uma disfunção no eixo cérebro-intestino, levando a alterações na motilidade gastrointestinal, hipersensibilidade visceral, processamento anormal da dor no sistema nervoso central e, possivelmente, disbiose intestinal. Fatores psicossociais desempenham um papel crucial, não apenas como gatilhos, mas como verdadeiros fatores de risco para o desenvolvimento do transtorno. Estresse familiar, conflitos parentais, ansiedade, depressão e, notavelmente, histórico de maus-tratos infantis (abuso emocional, físico ou sexual) são fortemente associados a uma maior prevalência e gravidade desses quadros. O manejo da dor abdominal funcional é multifacetado, focando na educação do paciente e da família, estratégias de enfrentamento, modificações dietéticas e, frequentemente, intervenções psicoterapêuticas como a terapia cognitivo-comportamental (TCC). Medicamentos podem ser usados para sintomas específicos, mas a abordagem psicossocial é central. Reconhecer e abordar os fatores de risco psicossociais é fundamental para um tratamento eficaz e para melhorar o prognóstico a longo prazo, evitando a cronificação da dor e o impacto na saúde mental da criança.
Os principais fatores de risco incluem estresse emocional, histórico de trauma ou abuso (físico, sexual, emocional), conflitos familiares, ansiedade, depressão e predisposição genética. Esses fatores podem modular a percepção da dor e a função gastrointestinal através do eixo cérebro-intestino.
O estresse emocional pode alterar a motilidade intestinal, a sensibilidade visceral e a permeabilidade da barreira intestinal, além de influenciar a microbiota. Essas mudanças, mediadas pelo eixo cérebro-intestino, contribuem para a percepção e a intensidade da dor em crianças com transtornos funcionais.
Um histórico detalhado é fundamental para identificar fatores psicossociais e eventos estressores que podem estar contribuindo para a dor. Além de descartar causas orgânicas, a compreensão do contexto de vida da criança e da família é essencial para um plano de manejo abrangente, que pode incluir terapia cognitivo-comportamental.
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