HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Mulher, 20 anos de idade, foi ao pronto atendimento com queixa principal, há 2 dias, de dor abdominal em fossa ilíaca direita e hipogástrio. Referia também episódios de náusea, porém sem vômitos. Negava diarreia, febre ou sintomas urinários. Ciclo menstrual sem alterações. Sem antecedentes pessoais. Ao exame físico: BEG, corada, hidratada, anictérica e afebril. Abdome doloroso à palpação, principalmente de fossa ilíaca direita, sem sinais de peritonite. Exames laboratoriais: Hb: 13,9 g/dL; Leucograma: 10,35 mil/mm³; TGO: 32 U/L; TGP: 30 U/L; Fosfatase Alcalina: 35 U/L; Gama GT: 47 U/L; Bilirrubina Total: 0,50 mg/dL; Bilirrubina Direta: 0,40 mg/dL; Amilase: 50 U/L; Proteína C Reativa: 25 mg/dL. Em relação ao caso, assinale a alternativa correta:
Dor em FID em mulher jovem → sempre considerar diagnósticos diferenciais ginecológicos, mesmo com sintomas típicos de apendicite.
Em mulheres jovens com dor abdominal em fossa ilíaca direita, a apendicite aguda é uma hipótese forte, mas diagnósticos diferenciais ginecológicos são mandatórios. A investigação complementar, como ultrassonografia pélvica e teste de gravidez, é essencial para um diagnóstico preciso.
A dor abdominal em fossa ilíaca direita (FID) é uma queixa comum no pronto atendimento, sendo a apendicite aguda a principal hipótese diagnóstica. Contudo, em mulheres jovens e em idade fértil, o espectro de diagnósticos diferenciais é amplo e inclui diversas condições ginecológicas que podem mimetizar os sintomas da apendicite, tornando o diagnóstico um desafio clínico. Entre os diagnósticos diferenciais ginecológicos destacam-se a ruptura ou torção de cisto ovariano, gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica (DIP) e dor ovulatória (Mittelschmerz). A anamnese detalhada sobre o ciclo menstrual, uso de contraceptivos e história sexual é fundamental. O exame físico deve incluir o exame ginecológico, se apropriado, para avaliar a presença de dor à mobilização do colo uterino ou massas anexiais. A investigação complementar é indispensável e geralmente inclui um teste de gravidez (beta-hCG), hemograma completo, proteína C reativa e, crucialmente, uma ultrassonografia pélvica. A ultrassonografia permite visualizar os ovários e o útero, identificar cistos, massas, líquido livre e avaliar o fluxo sanguíneo, auxiliando na diferenciação entre causas ginecológicas e apendicite. Em muitos casos, a laparoscopia diagnóstica pode ser necessária para um diagnóstico definitivo e tratamento.
Afecções como cisto ovariano roto, torção de ovário, gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica (DIP) e Mittelschmerz (dor ovulatória) podem causar dor em fossa ilíaca direita e mimetizar apendicite.
A ultrassonografia pélvica é crucial para avaliar os órgãos reprodutores femininos, identificar cistos, massas, líquido livre e sinais de inflamação, auxiliando na exclusão ou confirmação de diagnósticos ginecológicos.
A apendicectomia é indicada quando há forte suspeita clínica e/ou radiológica de apendicite aguda. No entanto, em mulheres jovens, a decisão cirúrgica deve ser cautelosa e precedida por uma investigação completa para excluir diagnósticos ginecológicos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo