Dor Abdominal Crônica em Crianças: Diagnóstico Diferencial

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Criança de 8 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com relato de dor abdominal há quatro meses. A dor acontece apenas durante o dia e é intercalada por períodos assintomáticos, ocorre na região peri-umbilical, com duração de cerca de uma a duas horas, sendo acompanhada de sudorese e náusea. Em relação ao diagnóstico diferencial da dor abdominal desse paciente, analise as assertivas abaixo, classificando-as em Verdadeiras (V) e Falsas (F) e assinale a alternativa CORRETA: (1) As causas orgânicas são responsáveis por cerca da metade dos casos de dor abdominal crônica em crianças. (2) A constipação intestinal crônica funcional está frequentemente associada a dieta pobre em fibras, em escolares. (3) O alívio dos sintomas com uso de medicamentos que previnem enxaqueca reforça o diagnóstico de enxaqueca abdominal. (4) Na síndrome do intestino irritável a dor abdominal é associada a esforço para defecar e sensação de evacuação incompleta. Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) F F F V
  2. B) V F V F
  3. C) F V V V
  4. D) V V F F

Pérola Clínica

Dor abdominal crônica em crianças: causas funcionais prevalecem sobre orgânicas (apenas ~10%).

Resumo-Chave

As causas orgânicas são responsáveis por uma minoria dos casos de dor abdominal crônica em crianças (cerca de 10%), sendo a maioria funcional. A constipação funcional é comum em escolares com dieta pobre em fibras. A enxaqueca abdominal responde a profilaxia de enxaqueca. A síndrome do intestino irritável (SII) em crianças tem critérios específicos, incluindo dor abdominal associada a alterações do hábito intestinal.

Contexto Educacional

A dor abdominal crônica (DAC) em crianças é uma queixa comum na pediatria e na atenção primária, representando um desafio diagnóstico e terapêutico. É fundamental para o residente compreender que, embora a preocupação inicial seja com causas orgânicas graves, a vasta maioria dos casos (cerca de 90%) tem etiologia funcional, ou seja, não há uma doença estrutural ou bioquímica subjacente detectável. Isso contraria a assertiva (1) da questão, que afirma que as causas orgânicas são responsáveis por cerca da metade dos casos. Entre as causas funcionais, a constipação intestinal crônica funcional é extremamente prevalente em escolares, frequentemente associada a hábitos alimentares inadequados, como baixa ingestão de fibras e líquidos, e retenção fecal. A enxaqueca abdominal é outra condição funcional importante, caracterizada por episódios de dor periumbilical intensa, náuseas e outros sintomas autonômicos, e o alívio com profilaxia de enxaqueca é um forte indicativo. A síndrome do intestino irritável (SII) em crianças, por sua vez, é definida pelos critérios de Roma IV e envolve dor abdominal associada a alterações do hábito intestinal (diarreia, constipação ou padrão misto), esforço para defecar e sensação de evacuação incompleta. O manejo da DAC funcional envolve uma abordagem biopsicossocial, com educação familiar, mudanças dietéticas e de estilo de vida, e, em alguns casos, terapia medicamentosa ou psicológica. A identificação de "sinais de alarme" (red flags) é crucial para direcionar a investigação para causas orgânicas, evitando exames desnecessários e focando no bem-estar da criança e da família.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para diagnosticar dor abdominal funcional em crianças?

Os critérios de Roma IV são utilizados para diagnosticar distúrbios gastrointestinais funcionais, incluindo dor abdominal funcional, que se caracteriza por dor abdominal recorrente sem evidência de doença orgânica.

Como diferenciar a enxaqueca abdominal de outras causas de dor abdominal?

A enxaqueca abdominal é caracterizada por episódios paroxísticos de dor periumbilical intensa, acompanhada de náuseas, vômitos, palidez e cefaleia, com períodos assintomáticos. A resposta a medicamentos profiláticos para enxaqueca reforça o diagnóstico.

Quais são os sinais de alarme ("red flags") na dor abdominal crônica pediátrica?

Sinais de alarme incluem perda de peso, retardo de crescimento, sangramento gastrointestinal, vômitos biliares, disfagia, dor que acorda a criança à noite, dor localizada fora da região periumbilical e história familiar de doença inflamatória intestinal.

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