SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2021
Criança de 10 anos é trazida à consulta devido a crises frequentes de dor abdominal periumbilical, com intensidade relevante, acompanhada de palidez e sudorese, que persiste por alguns minutos. A duração média do quadro é de 2 meses, seguida por perda de 2,5 Kg. A mãe relata que não há vômitos e a menor é constipada, evacuando apenas com o ajuda de laxantes. Qual dado da história clínica sugere etiologia orgânica para o caso?
Dor abdominal crônica em criança + perda ponderal → forte indício de etiologia orgânica. Investigar a fundo.
A perda ponderal inexplicada em crianças com dor abdominal crônica é um dos sinais de alarme mais importantes, diferenciando a dor funcional da orgânica. Outros sinais incluem dor noturna que acorda a criança, dor localizada fora da região periumbilical, vômitos persistentes, diarreia crônica, sangramento gastrointestinal e desaceleração do crescimento.
A dor abdominal crônica é uma queixa frequente na pediatria, sendo um desafio diagnóstico. É crucial diferenciar entre causas funcionais (mais comuns) e orgânicas (menos comuns, mas potencialmente graves). A prevalência da dor abdominal funcional é alta, mas a identificação precoce de sinais de alarme é vital para evitar atrasos no diagnóstico de doenças orgânicas. A abordagem inicial deve incluir uma anamnese detalhada e exame físico completo, buscando ativamente por esses indicadores. A fisiopatologia da dor abdominal funcional envolve uma interação complexa entre fatores psicossociais, motilidade gastrointestinal alterada e hipersensibilidade visceral. Em contraste, a dor orgânica tem uma causa física identificável. A presença de sinais de alarme, como a perda ponderal, palidez, sudorese, febre, sangramento ou alterações no crescimento, direciona a investigação para etiologias orgânicas, que podem incluir doenças inflamatórias intestinais, doença celíaca, úlceras pépticas, infecções urinárias, parasitoses ou até neoplasias. O tratamento da dor abdominal crônica depende da etiologia. Para causas funcionais, o manejo é multidisciplinar, envolvendo dieta, modificações de estilo de vida, suporte psicológico e, por vezes, medicação sintomática. Para causas orgânicas, o tratamento é direcionado à doença de base. O prognóstico é geralmente bom para ambas as formas, mas o reconhecimento e tratamento adequados das causas orgânicas são fundamentais para prevenir complicações e garantir o desenvolvimento saudável da criança. A vigilância contínua para o surgimento de novos sinais de alarme é sempre recomendada.
Os principais sinais de alarme incluem perda ponderal inexplicada, dor noturna que acorda a criança, dor localizada fora da região periumbilical, vômitos persistentes, diarreia crônica, sangramento gastrointestinal, disfagia, febre inexplicada e desaceleração do crescimento. A presença de qualquer um desses sinais sugere uma etiologia orgânica.
A perda ponderal é um forte indicador de que a dor abdominal tem uma causa orgânica, e não funcional. Condições como doença inflamatória intestinal, doença celíaca, tumores ou outras patologias sistêmicas podem levar à má absorção ou aumento do gasto energético, resultando em perda de peso.
A constipação é uma causa comum de dor abdominal em crianças e, muitas vezes, é funcional. No entanto, quando associada a outros sinais de alarme, como perda ponderal, deve-se investigar causas orgânicas para a constipação ou para a dor abdominal, que podem estar coexistindo.
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