INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma mulher de 25 anos vai à emergência referindo sentir dor em fossa ilíaca esquerda (FIE) há 6 horas. Nega febre, alteração do hábito intestinal ou urinário. Sua última menstruação foi há 15 dias e faz uso de dispositivo intrauterino de cobre há 2 anos. Relata ter ciclos menstruais mensais, parceiro único e ausência de leucorreia. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 120 × 80 mmHg, frequência cardíaca de 90 batimentos por minuto, temperatura axilar de 36,8 °C, dor à palpação superficial e profunda do abdome em FIE com sinais de irritação peritoneal. São realizados teste de gravidez, com resultado negativo, e ultrassonografia transvaginal, a qual evidenciou cisto heterogêneo em ovário esquerdo, de 4 cm, com vascularização periférica ao Doppler, com mínima quantidade de liquido livre em fundo de saco de Douglas. Nessa situação, a conduta terapêutica adequada consiste em realizar
Cisto ovariano <5cm com dor aguda, paciente estável e vascularização preservada → analgesia e observação.
Em pacientes estáveis com dor abdominal aguda e ultrassonografia revelando cisto ovariano <5cm com vascularização periférica e mínimo líquido livre, a conduta inicial é conservadora com analgesia e observação. A cirurgia é reservada para instabilidade, piora clínica ou sinais de complicação grave.
A dor em fossa ilíaca esquerda (FIE) é uma queixa comum na emergência ginecológica, e o cisto ovariano é uma das causas mais frequentes. As principais complicações dos cistos ovarianos que causam dor aguda são a ruptura e a torsão. A ruptura geralmente causa dor súbita, que pode ser acompanhada de sangramento e irritação peritoneal, enquanto a torsão cursa com dor excruciante devido à isquemia ovariana. O diagnóstico diferencial da dor em FIE inclui apendicite (se atípica), doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica, diverticulite e causas urológicas. A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de escolha, auxiliando na identificação do cisto, seu tamanho, características e presença de líquido livre. A avaliação da vascularização ao Doppler é crucial para diferenciar entre torsão completa e outras condições. A conduta terapêutica depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, da intensidade da dor e dos achados ultrassonográficos. Em pacientes estáveis, com cistos pequenos (<5cm), vascularização preservada e mínimo líquido livre, a analgesia e observação hospitalar são a conduta inicial adequada, pois muitos casos se resolvem espontaneamente. A intervenção cirúrgica (laparoscopia) é indicada para instabilidade hemodinâmica, dor refratária, suspeita de torsão completa ou grande sangramento.
Sinais de alerta incluem instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), dor intensa e refratária à analgesia, sinais de peritonite generalizada, ou achados ultrassonográficos de grande quantidade de líquido livre ou ausência de fluxo no ovário (sugerindo torsão completa).
A vascularização periférica ao Doppler sugere que o ovário ainda está recebendo suprimento sanguíneo, o que é um bom sinal e indica que uma torsão completa é menos provável, ou que o ovário ainda é viável. Isso favorece uma conduta mais conservadora inicialmente.
A ruptura de cisto ovariano ocorre quando o cisto se rompe, liberando seu conteúdo e causando dor e, por vezes, líquido livre. A torsão ovariana é a torção do ovário em seu pedículo vascular, comprometendo o fluxo sanguíneo e causando isquemia, dor intensa e risco de necrose ovariana.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo