PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023
Paciente de 28 anos, G2PC1A0, IG 31 semanas, encaminhada ao Pré-Natal de Alto Risco (PNAR) devido a quadro de crescimento intrauterino restrito (CIUR). Na história clínica: tabagismo 10 cigarros/dia desde a adolescência e filho anterior nasceu com 34 semanas devido a quadro de CIUR. Não apresentava doenças sistêmicas. Ao exame clínico apresentava UF de 28cm e BCF de 132bpm. O último US era de 27 semanas com peso fetal estimado entre os percentis 3 e 10, sem Doppler. Solicitado ultrassonografia com Doppler na urgência que confirmou o CIUR. Assinale a opção com a avaliação pela Dopplervelocimetria que, se estiver alterada, define a necessidade da interromper a gestação:
CIUR grave: Alteração no ducto venoso → descompensação fetal e indicação de interrupção da gestação.
No manejo do CIUR, a dopplervelocimetria do ducto venoso é o marcador mais tardio e crítico de descompensação fetal. Alterações neste vaso indicam exaustão dos mecanismos compensatórios e um risco iminente de óbito fetal, sendo, portanto, um critério para a interrupção da gestação.
O Crescimento Intrauterino Restrito (CIUR) é uma condição séria que afeta o desenvolvimento fetal, frequentemente associada à insuficiência placentária. A avaliação do bem-estar fetal em casos de CIUR é primordial para determinar o momento ideal da interrupção da gestação, visando minimizar a morbimortalidade perinatal. A dopplervelocimetria é a ferramenta chave para essa monitorização. A sequência de alterações na dopplervelocimetria reflete a progressão do sofrimento fetal. Inicialmente, observa-se aumento da resistência na artéria umbilical, indicando comprometimento da função placentária. Em seguida, o feto desenvolve um mecanismo compensatório de 'brain sparing', com vasodilatação da artéria cerebral média para priorizar o fluxo sanguíneo cerebral. Quando esses mecanismos compensatórios se esgotam, surgem alterações no ducto venoso, como a onda A reversa ou ausente. Este achado é um sinal de descompensação fetal grave, acidose e risco iminente de óbito, sendo o critério mais importante para a decisão de interrupção da gestação, mesmo em idades gestacionais mais precoces, a fim de salvar a vida do feto.
As alterações progridem da artéria umbilical (aumento da resistência, diástole zero/reversa), para a artéria cerebral média (vasodilatação, 'brain sparing'), e finalmente para o ducto venoso (onda A reversa ou ausente), indicando descompensação grave.
O ducto venoso reflete o fluxo sanguíneo para o coração fetal e o cérebro. Alterações nele, como a onda A reversa, indicam falha dos mecanismos compensatórios e acidose fetal, sendo um preditor forte de óbito perinatal e exigindo interrupção.
As causas de CIUR podem ser maternas (hipertensão, tabagismo, doenças autoimunes, desnutrição), placentárias (insuficiência placentária, infartos, pré-eclâmpsia) ou fetais (anomalias cromossômicas, infecções congênitas, malformações).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo