Doppler Uterino com Alta Resistência: Conduta e Prevenção de Pré-eclâmpsia

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020

Enunciado

Gestante 12 semanas, realizou Doppler de artérias uterinas que estava com alta resistência. Qual a conduta adequada nesse caso:

Alternativas

  1. A) Repetir o exame com 20 semanas.
  2. B) Iniciar hipotensor.
  3. C) Iniciar ácido acetilsalicílico 100 mg/dia.
  4. D) Solicitar glicemia.

Pérola Clínica

Doppler de artérias uterinas com alta resistência na 12ª semana → iniciar AAS 100 mg/dia para prevenir pré-eclâmpsia.

Resumo-Chave

A alta resistência nas artérias uterinas no primeiro trimestre é um marcador de risco para pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal. O AAS em baixa dose é a principal intervenção para reduzir esse risco, otimizando a placentação.

Contexto Educacional

O rastreamento de pré-eclâmpsia no primeiro trimestre é uma ferramenta valiosa na medicina fetal, combinando fatores de risco maternos, marcadores bioquímicos e o Doppler das artérias uterinas. A detecção de alta resistência nas artérias uterinas, caracterizada por um índice de pulsatilidade (IP) elevado, é um forte preditor de desenvolvimento de pré-eclâmpsia, especialmente a forma precoce e grave, e de restrição de crescimento intrauterino. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação inadequada, resultando em isquemia e disfunção endotelial. A alta resistência nas artérias uterinas reflete essa falha na remodelação das artérias espiraladas. A conduta adequada, nesse cenário, é a intervenção precoce. O ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (geralmente 100 mg/dia) é a principal estratégia farmacológica para a prevenção da pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco. Sua eficácia é significativamente maior quando iniciado antes das 16 semanas de gestação, idealmente a partir da 12ª semana, pois atua na fase de placentação, melhorando o fluxo sanguíneo útero-placentário e reduzindo a produção de substâncias vasoconstritoras.

Perguntas Frequentes

O que significa alta resistência nas artérias uterinas no primeiro trimestre?

Indica um fluxo sanguíneo inadequado para a placenta devido a uma falha na invasão trofoblástica, sendo um marcador de risco para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal.

Qual o mecanismo de ação do AAS na prevenção da pré-eclâmpsia?

O AAS em baixa dose atua inibindo a ciclo-oxigenase-1 (COX-1) plaquetária, reduzindo a produção de tromboxano A2, um potente vasoconstritor e agregante plaquetário, melhorando o fluxo placentário.

Até qual semana de gestação o AAS deve ser iniciado para ser eficaz na prevenção da pré-eclâmpsia?

Para máxima eficácia, o AAS deve ser iniciado idealmente antes das 16 semanas de gestação, e preferencialmente antes das 12 semanas, em gestantes de alto risco.

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