HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023
S.T.B., 36 anos, GII PI 1C A0, IG usg: 34 semanas, deu entrada no PSO com queixa de escotomas, dor em hipocôndrio direito e náuseas. PA de 150 x 100 mmHg. Nega aumento de PA prévio. Ausência de edema de membros inferiores. Rotina de pré-eclâmpsia: relação proteína na urina/creatinina na urina de 0,4, TGO 20, TGP 25, hb 11, htco: 33, plaquetas: 160.000, DHL 400, Bb totais de 0,8; Cr 0,9.Paciente submetida a ultrassom obstétrico com doppler que identificou: peso fetal no percentil 4, ILA normal, placenta anterior, GIII, feto em apresentação cefálica. Doppler de artéria umbilical, conforme imagem a seguir.De acordo com a figura, assinale a interpretação correta do doppler fetal.
Diástole reversa na artéria umbilical = Insuficiência placentária grave + alto risco de óbito fetal iminente.
A presença de fluxo reverso na diástole da artéria umbilical indica que a resistência placentária excede a pressão de perfusão fetal, exigindo interrupção imediata da gestação em fetos viáveis.
O Doppler da artéria umbilical é a principal ferramenta para avaliação da função placentária em gestações de alto risco, como na pré-eclâmpsia e na restrição de crescimento fetal (RCF). O aumento progressivo da resistência placentária reflete-se no Doppler como redução do fluxo diastólico, evoluindo para diástole zero e, finalmente, diástole reversa. Este último achado está fortemente correlacionado com hipóxia fetal grave, acidose e morte. No contexto clínico apresentado, a paciente apresenta sinais de iminência de eclâmpsia e um feto com RCF grave, onde o Doppler umbilical alterado confirma o comprometimento da vitalidade, exigindo resolução obstétrica urgente para salvaguardar o binômio mãe-feto.
A diástole reversa ocorre quando, durante a fase diastólica do ciclo cardíaco fetal, o sangue flui da placenta de volta para o feto na artéria umbilical. No traçado do Doppler, isso é visualizado como ondas abaixo da linha de base (negativas). Esse fenômeno indica que a resistência vascular placentária é extremamente alta, superando a capacidade de ejeção cardíaca fetal durante a diástole, sendo um sinal de insuficiência placentária terminal e acidemia fetal iminente.
A diástole reversa na artéria umbilical em uma gestação de 34 semanas, especialmente associada a sinais de pré-eclâmpsia grave (escotomas, dor abdominal) e feto com restrição de crescimento (percentil 4), é uma indicação clássica de interrupção imediata da gestação. O risco de óbito fetal intrauterino supera os riscos da prematuridade. A via de parto preferencial costuma ser a cesariana, dado o alto risco de sofrimento fetal agudo durante o trabalho de parto.
Na diástole zero, o fluxo sanguíneo na artéria umbilical para completamente durante a diástole, e a onda toca a linha de base. Na diástole reversa, a onda ultrapassa a linha de base para o lado oposto. Ambas indicam alta resistência placentária, mas a diástole reversa representa um estágio mais avançado de deterioração hemodinâmica, associado a uma perda de mais de 70% da árvore vascular placentária funcional.
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