Interpretação do Doppler Obstétrico na Diástole Zero

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

G.B.F., 32 anos GII PII 2C A0, em pós-parto imediato, em uso de sulfato de magnésio por sintomas de iminência de eclâmpsia alega HAC prévia. Submetida a parto cesáreo com 34 semanas de gestação, em razão de alteração de exames laboratoriais e sofrimento fetal crônico.Exames laboratoriais e de imagem de entrada ao PSO:Hb 11; htco 33; plaquetas 120.000; TGO 40; TGP 30; DHL 900; Ur 1,0; ácido úrico: 8; relação proteína na urina/ creatinina na urina: 0,4.Ultrassom obstétrico com doppler: feto único vivo em apresentação cefálica. Placenta anterior, grau III, peso fetal no percentil 2. Doppler de artéria umbilical com diástole zero. Ducto venoso: IP (índice de pulsatilidade): 0,5. IP de ACM (artéria cerebral média): 0,60. Doppler de uterinas com IP médio no percentil > 95. Maior bolsão vertical de 2,5 cm.Com relação à interpretação do ultrassom obstétrico realizado, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) IP (índice de pulsatilidade) médio de artérias uterinas demonstrou baixa resistência nesses vasos durante a diástole.
  2. B) Alteração de ducto venoso.
  3. C) Relação cérebro placentária > 1.
  4. D) Aumento do IP da artéria umbilical.

Pérola Clínica

Diástole zero na artéria umbilical = ↑ Resistência placentária → ↑ Índice de Pulsatilidade (IP).

Resumo-Chave

A diástole zero na artéria umbilical reflete uma resistência vascular placentária extremamente elevada, resultando obrigatoriamente em um aumento do Índice de Pulsatilidade (IP).

Contexto Educacional

O Doppler obstétrico é a ferramenta principal para o manejo da restrição de crescimento fetal (RCF) e da insuficiência placentária. A artéria umbilical avalia o compartimento placentário; o aumento de sua resistência (IP elevado) progride para diástole zero e, eventualmente, diástole reversa. Paralelamente, o feto pode apresentar o fenômeno de centralização (vasodilatação da artéria cerebral média), visando proteger o território encefálico. No caso clínico apresentado, a paciente possui pré-eclâmpsia grave e o feto apresenta RCF (percentil 2) com diástole zero na umbilical. O IP da ACM de 0,60, sendo baixo, confirma a centralização (RCP < 1). Embora o ducto venoso ainda esteja normal (IP 0,5), a gravidade do quadro materno e a maturidade fetal (34 semanas) justificam a interrupção da gestação, uma vez que a diástole zero já indica um comprometimento placentário crítico.

Perguntas Frequentes

O que significa a diástole zero na artéria umbilical?

A diástole zero indica que, durante a fase diastólica do ciclo cardíaco fetal, não há fluxo sanguíneo anterógrado na artéria umbilical. Isso ocorre quando mais de 70% do leito vascular placentário está obliterado, gerando altíssima resistência ao fluxo. Clinicamente, isso se traduz em um Índice de Pulsatilidade (IP) elevado, situando-se acima do percentil 95 para a idade gestacional, e é um marcador de gravidade na insuficiência placentária.

Como interpretar a Relação Cérebro-Placentária (RCP)?

A RCP é o cálculo do IP da Artéria Cerebral Média dividido pelo IP da Artéria Umbilical. Valores menores que 1 (ou abaixo do percentil 5) sugerem centralização fetal. Isso indica que o feto está redistribuindo o débito cardíaco para órgãos nobres (cérebro, coração e adrenais) em resposta à hipóxia crônica, um mecanismo compensatório que precede a descompensação hemodinâmica.

Qual a importância do Doppler do Ducto Venoso?

O ducto venoso é um marcador tardio de sofrimento fetal, refletindo a função cardíaca e a pressão no átrio direito. Alterações como o aumento do IP ou a presença de onda 'a' reversa (contração atrial) indicam acidemia fetal e risco iminente de óbito. É o parâmetro mais importante para decidir o momento do parto em fetos com RCF grave abaixo de 32 semanas de gestação.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo