UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020
Em gestações de alto risco, o uso do doppler tem demonstrado uma importância significativa na avaliação da vitalidade fetal. Sobre esse exame pode-se afirmar que:
Doppler artéria umbilical com diástole zero/reversa = insuficiência placentária grave e risco de hipóxia fetal.
A diástole zero ou reversa na artéria umbilical indica aumento extremo da resistência placentária, comprometendo o fluxo sanguíneo para o feto. É um sinal tardio e grave de insuficiência placentária, exigindo intervenção imediata para evitar desfechos adversos.
O Doppler fetal é uma ferramenta essencial na avaliação da vitalidade fetal em gestações de alto risco, permitindo monitorar o fluxo sanguíneo em diferentes vasos e identificar sinais precoces de comprometimento. A compreensão das alterações nos diferentes territórios vasculares é fundamental para a tomada de decisões clínicas, especialmente em casos de restrição de crescimento intrauterino (RCIU) e pré-eclâmpsia. A artéria umbilical reflete a resistência placentária. Um fluxo diastólico normal indica baixa resistência e boa perfusão. Com o aumento da resistência placentária, o fluxo diastólico diminui, podendo chegar a diástole zero (ausência de fluxo diastólico) ou, em casos mais graves, diástole reversa (fluxo diastólico invertido). Esses achados são marcadores de insuficiência placentária grave e estão associados a maior risco de hipóxia fetal, acidose e óbito perinatal, exigindo conduta imediata, muitas vezes a interrupção da gestação. Outros vasos também são importantes: a artéria cerebral média (ACM) avalia a redistribuição de fluxo (efeito 'brain sparing') em resposta à hipóxia, e o ducto venoso é um marcador de comprometimento fetal avançado, sendo um dos últimos a se alterar. O domínio do Doppler fetal é crucial para residentes em Obstetrícia, permitindo um manejo adequado de gestações de alto risco e melhorando os desfechos maternos e perinatais.
As alterações progridem da artéria umbilical (aumento da resistência, diástole zero/reversa), para a artéria cerebral média (vasodilatação, 'brain sparing'), e por fim, para o território venoso (ducto venoso e veia umbilical), que são os sinais mais tardios e graves de descompensação.
O Doppler da artéria cerebral média é primariamente utilizado para avaliar o risco de anemia fetal em casos de isoimunização Rh ou outras causas, devido à vasodilatação cerebral compensatória que ocorre na anemia grave.
Baixa resistência nas artérias uterinas é um achado normal e desejável, indicando boa adaptação placentária. Alta resistência, com presença de incisura protodiastólica, é que sugere falha na invasão trofoblástica e risco de insuficiência placentária.
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