Anemia Fetal: Interpretação do Doppler da ACM em Gestantes Rh-

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 33 anos, Rh negativa, vem á consulta de pré-natal com 28 semanas de gestação, trazendo teste de Coombs indireto de 1:32. G2P1A0. A gestação anterior apresentou evolução normal. No dia da consulta, foi realizada ultrassonografia obstétrica com resultado normal e dopplervelocimetria do pico_______________da artéria cerebral média fetal (ACM) com resultado convertido em múltiplos da mediana (MOM) e corrigido para a idade gestacional de 1,29. A partir desses resultados, a conduta é _______________. As informações que completam corretamente as lacunas, na ordem em que se encontram, estão contidas na alternativa:

Alternativas

  1. A) sistólico - transfusão intrauterina imediata
  2. B) diastólico - transfusão intrauterina imediata
  3. C) sistólico - repetir doppler da ACM entre 7 e 14 dias
  4. D) diastólico - repetir doppler da ACM entre 7 e 14 dias

Pérola Clínica

Pico sistólico ACM 1.0-1.5 MoM → repetir doppler em 7-14 dias para avaliar anemia fetal.

Resumo-Chave

O doppler do pico sistólico da artéria cerebral média (ACM) é o método não invasivo de escolha para rastrear anemia fetal em gestações com isoimunização Rh. Valores entre 1.0 e 1.5 MoM indicam risco intermediário, exigindo acompanhamento seriado para detectar progressão da anemia antes que se torne grave.

Contexto Educacional

A isoimunização Rh é uma condição em que uma gestante Rh negativa produz anticorpos contra hemácias fetais Rh positivas, podendo causar anemia fetal. A prevalência diminuiu significativamente com a profilaxia com imunoglobulina anti-D, mas ainda é uma causa importante de morbimortalidade perinatal. O manejo adequado é crucial para garantir a saúde do feto. O diagnóstico da anemia fetal é feito principalmente pelo doppler do pico sistólico da artéria cerebral média (ACM), que é um método não invasivo e altamente sensível. A interpretação dos resultados em Múltiplos da Mediana (MoM) permite estratificar o risco de anemia. Valores de MoM < 1.0 são normais, 1.0-1.5 MoM indicam risco intermediário e exigem monitoramento, e > 1.5 MoM sugerem anemia grave, indicando a necessidade de procedimentos invasivos como a cordocentese para confirmação e, se necessário, transfusão intrauterina. O acompanhamento de gestantes isoimunizadas requer uma abordagem multidisciplinar, com monitoramento ultrassonográfico seriado e, se necessário, intervenções intrauterinas. A compreensão da fisiopatologia e dos critérios para cada conduta é fundamental para o residente, visando otimizar os desfechos maternos e fetais.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do pico sistólico da ACM na isoimunização Rh?

O pico sistólico da ACM é um indicador não invasivo da velocidade do fluxo sanguíneo cerebral fetal. Em casos de anemia fetal, o sangue fica menos viscoso, aumentando a velocidade do fluxo e, consequentemente, o pico sistólico, que é expresso em Múltiplos da Mediana (MoM).

Quando é indicada a transfusão intrauterina em casos de isoimunização Rh?

A transfusão intrauterina é geralmente indicada quando o pico sistólico da ACM atinge valores acima de 1.5 MoM, o que sugere anemia fetal moderada a grave, ou quando há sinais de hidropsia fetal.

Como o Coombs indireto se relaciona com a avaliação da anemia fetal?

O Coombs indireto materno detecta anticorpos anti-Rh no soro da gestante, confirmando a isoimunização. Seu título é importante para identificar gestações de risco, mas não é suficiente para monitorar a gravidade da anemia fetal, que é feita pelo doppler da ACM.

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