MedEvo Simulado — Prova 2026
Dona Deolinda, 78 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhada por seu neto para uma consulta de rotina. Durante a anamnese e aplicação da Caderneta de Saúde do Idoso, o médico utiliza o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional-20 (IVCF-20) para rastreamento. A paciente pontuou positivamente nos seguintes critérios: idade (78 anos), autopercepção da saúde como "razoável", dificuldade para realizar compras e para realizar a limpeza pesada da casa (atividades instrumentais de vida diária), relato de uma queda no último ano e perda de peso não intencional de 4 kg nos últimos seis meses. O médico calculou a pontuação total de 11 pontos. Com base nos critérios do IVCF-20 e nas diretrizes de atenção à pessoa idosa, a classificação clínico-funcional da paciente e a conduta inicial adequada são:
IVCF-20 entre 7 e 14 = Risco de Fragilização → Requer Avaliação Multidimensional e Plano de Cuidados.
O IVCF-20 é uma ferramenta de triagem rápida para identificar o grau de vulnerabilidade. Pontuações intermediárias indicam risco, exigindo uma abordagem biopsicossocial profunda para evitar a progressão para a fragilidade.
O envelhecimento populacional exige que o médico da atenção primária domine ferramentas de estratificação funcional. O IVCF-20, amplamente adotado no Brasil e presente na Caderneta de Saúde do Idoso, substitui a simples análise da idade cronológica pela idade biológica/funcional. A fragilidade é um estado de vulnerabilidade biológica a estressores, resultante do declínio das reservas fisiológicas. Identificar o idoso 'em risco' (pré-frágil) é a janela de oportunidade ideal para intervenções de reabilitação, ajuste medicamentoso e suporte social. A conduta baseada na Avaliação Multidimensional permite um olhar holístico, indo além da doença orgânica e focando na manutenção da autonomia e independência, que são os verdadeiros indicadores de saúde na terceira idade.
O Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional-20 (IVCF-20) é um instrumento de rastreamento rápido composto por 20 questões que abrangem dimensões como idade, autopercepção da saúde, atividades de vida diária, cognição, humor, mobilidade, comunicação e comorbidades. A pontuação varia de 0 a 40. Os pontos de corte estabelecidos são: 0 a 6 pontos indicam um idoso clinicamente robusto; 7 a 14 pontos indicam um idoso em risco de fragilização (ou pré-frágil); e 15 pontos ou mais indicam um idoso clinicamente frágil. Essa estratificação é fundamental para definir a intensidade da intervenção necessária e o nível de atenção à saúde (primária ou especializada).
Um idoso que pontua 11 no IVCF-20 é classificado como 'em risco de fragilização'. Segundo as diretrizes de atenção à pessoa idosa, a conduta inicial não deve ser apenas o acompanhamento preventivo padrão, mas sim a realização de uma Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa. Esta avaliação visa identificar os determinantes da vulnerabilidade (como déficits nutricionais, polifarmácia, riscos ambientais de queda ou isolamento social) para a elaboração de um Plano de Cuidados Individualizado (PCI). O objetivo é intervir precocemente nos fatores reversíveis para impedir que o idoso evolua para o estado de fragilidade estabelecida.
O encaminhamento para centros de referência ou atenção secundária em geriatria é geralmente reservado para idosos classificados como clinicamente frágeis (IVCF-20 ≥ 15) ou para aqueles que, mesmo em risco, apresentam alta complexidade clínica, síndromes geriátricas graves (como demência avançada ou instabilidade postural grave) ou quando o plano de cuidados na atenção primária não atinge os objetivos propostos. No caso de idosos em risco de fragilização (7-14 pontos), a gestão do cuidado deve ser prioritariamente realizada pela equipe de Saúde da Família, utilizando a Avaliação Multidimensional para guiar as intervenções locais.
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