Doenças Hipertensivas na Gestação: Diagnóstico e Manejo

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2023

Enunciado

As doenças hipertensivas da gestação ainda representam uma importante causa de óbito materno no Brasil. No que se refere ao diagnóstico e ao manejo dessas condições, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de pré-eclâmpsia sempre exige a comprovação de proteinúria > 300 mg / 24 horas.
  2. B) O uso do sulfato de magnésio, no contexto do manejo da pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, tem como objetivo a neuroproteção fetal.
  3. C) A observação de níveis pressóricos superiores a 140 mmHg x 90 mmHg antes das 20 semanas de idade gestacional, sem proteinúria associada, permite o diagnóstico de hipertensão gestacional.
  4. D) Nos casos de hipertensão arterial sistêmica prévia à gestação, a recomendação atual é que seja mantido o anti-hipertensivo de uso habitual da paciente, apenas com ajuste de posologia, independentemente da classe a que pertencer o medicamento.
  5. E) O manejo dos distúrbios hipertensivos da gestação inclui a solicitação de rotina laboratorial, apresentando como objetivo, entre outros, a identificação de critérios laboratoriais de gravidade e síndrome HELLP.

Pérola Clínica

Rotina laboratorial na DHEG é essencial para identificar gravidade e Síndrome HELLP.

Resumo-Chave

O manejo das doenças hipertensivas da gestação (DHEG) exige monitoramento laboratorial rigoroso para identificar precocemente sinais de gravidade, como disfunção orgânica e a Síndrome HELLP. A proteinúria não é mais um critério obrigatório para pré-eclâmpsia se houver outros sinais de disfunção orgânica, e o sulfato de magnésio é para prevenção de convulsões maternas, não neuroproteção fetal.

Contexto Educacional

As doenças hipertensivas da gestação (DHEG) representam um espectro de condições que complicam aproximadamente 5-10% das gestações, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. Incluem hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, eclâmpsia e hipertensão crônica com pré-eclâmpsia sobreposta. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são fundamentais para melhorar os desfechos. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia, a forma mais grave, envolve uma placentação anormal que leva à disfunção endotelial sistêmica, resultando em hipertensão e danos a múltiplos órgãos. O diagnóstico baseia-se em níveis pressóricos elevados após 20 semanas de gestação, associados a proteinúria ou a sinais de disfunção orgânica. A Síndrome HELLP (Hemólise, Enzimas hepáticas elevadas, Plaquetas baixas) é uma complicação grave da pré-eclâmpsia. O manejo das DHEG é complexo e individualizado. Inclui monitoramento rigoroso da pressão arterial, avaliação fetal e, criticamente, a solicitação de exames laboratoriais de rotina para identificar critérios de gravidade e complicações como a Síndrome HELLP. O sulfato de magnésio é a terapia de escolha para prevenção e tratamento da eclâmpsia. Residentes devem estar aptos a interpretar esses exames e a tomar decisões clínicas baseadas neles para garantir a segurança materno-fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos atuais para pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é diagnosticada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas) associada a proteinúria (≥ 300 mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) OU, na ausência de proteinúria, a novos sinais de disfunção orgânica (trombocitopenia, insuficiência renal, disfunção hepática, edema pulmonar, sintomas cerebrais ou visuais).

Qual o objetivo do sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia grave?

O principal objetivo do sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é a prevenção e o tratamento das convulsões eclâmpticas na gestante, agindo como um anticonvulsivante e neuroprotetor materno.

Por que a rotina laboratorial é crucial no manejo das DHEG?

A rotina laboratorial é crucial para identificar precocemente critérios de gravidade da pré-eclâmpsia, como trombocitopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal e hemólise, que podem indicar a progressão para pré-eclâmpsia grave ou Síndrome HELLP, permitindo intervenção oportuna.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo