Doença de Wilson: Fisiopatologia e Níveis de Ceruloplasmina

Visão Laser - Centro Oftalmológico (SP) — Prova 2020

Enunciado

O defeito doença de Wilson (DW) no transporte intracelular acarreta diminuição na incorporação de cobre na ceruloplasmina. O item com erro:

Alternativas

  1. A) Acredita-se que a ausência de cobre na ceruloplasmina deixe a molécula mais estável, sendo o motivo pelo qual o nível circulante dessa glicoproteína nos pacientes com DW está aumentado.
  2. B) Quando a capacidade de acúmulo de cobre no fígado é excedida ou quando há dano hepatocelular, ocorre liberação de cobre na circulação, elevando-se seu nível sérico circulante que se deposita em tecidos extra-hepáticos.
  3. C) Um dos principais locais de deposição é o cérebro, causando danos neuronais e sendo responsável pelas manifestações neurológicas e psiquiátricas da DW.
  4. D) A DW se apresenta com manifestações clínicas consequentes a um defeito no metabolismo do cobre, o que leva ao seu acúmulo.

Pérola Clínica

Doença de Wilson → Defeito ATP7B → ↓ incorporação cobre na ceruloplasmina → Apoceruloplasmina instável → ↓ Ceruloplasmina sérica.

Resumo-Chave

A Doença de Wilson é uma doença genética autossômica recessiva que causa acúmulo de cobre em diversos tecidos, principalmente fígado, cérebro e córnea. O defeito no gene ATP7B impede a incorporação do cobre na ceruloplasmina e sua excreção biliar, levando a baixos níveis séricos de ceruloplasmina e cobre livre elevado.

Contexto Educacional

A Doença de Wilson (DW) é uma doença genética autossômica recessiva rara, com uma prevalência de aproximadamente 1 em 30.000 indivíduos. Sua importância clínica reside na gravidade das manifestações hepáticas, neurológicas e psiquiátricas que podem ser fatais se não diagnosticadas e tratadas precocemente. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir danos irreversíveis e melhorar o prognóstico dos pacientes. A fisiopatologia da DW envolve mutações no gene ATP7B, localizado no cromossomo 13, que codifica uma ATPase transportadora de cobre. Este transportador é responsável pela incorporação do cobre na apoceruloplasmina para formar a ceruloplasmina funcional e pela excreção do excesso de cobre na bile. Com o defeito, o cobre se acumula no fígado, causando hepatite, cirrose e insuficiência hepática. Quando a capacidade do fígado é excedida, o cobre é liberado na circulação e se deposita em outros órgãos, como cérebro (causando distúrbios de movimento, disartria, distonia), córnea (anel de Kayser-Fleischer), rins e articulações. O tratamento da Doença de Wilson visa remover o excesso de cobre do corpo e prevenir seu reacumulo. Isso é feito principalmente com agentes quelantes de cobre, como a D-penicilamina ou a trientina, e zinco, que inibe a absorção intestinal de cobre. O tratamento é contínuo e vitalício. O prognóstico é bom se a doença for diagnosticada e tratada antes que ocorram danos orgânicos irreversíveis, ressaltando a importância da triagem familiar e do acompanhamento regular.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais locais de acúmulo de cobre na Doença de Wilson?

Os principais locais de acúmulo de cobre na Doença de Wilson são o fígado, o cérebro (gânglios da base) e a córnea, onde forma o anel de Kayser-Fleischer.

Qual o papel do gene ATP7B na Doença de Wilson?

O gene ATP7B codifica uma ATPase transportadora de cobre, essencial para a incorporação do cobre na ceruloplasmina e sua excreção biliar. Mutações nesse gene causam o acúmulo tóxico de cobre.

Por que os níveis séricos de ceruloplasmina são baixos na Doença de Wilson?

Na Doença de Wilson, a ceruloplasmina é sintetizada, mas o cobre não é incorporado devido ao defeito no ATP7B. A apoceruloplasmina resultante é instável e rapidamente degradada, levando a baixos níveis séricos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo