Doença de Wilson: Diagnóstico e Tratamento com Quelantes

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um jovem de 20 anos foi admitido com um quadro de hepatite, esplenomegalia com hiperesplenismo, anemia hemolítica com Coombs negativo, hipertensão portal e confusão mental. O exame neurológico mostrou síndrome rígida-acinética semelhante ao parkinsonismo, tremores e ataxia. Foram também observadas disartria, disfagia e incoordenação motora. Tais achados neurológicos se associam a disfunção dos gânglios da base.O tratamento instituído foi D-penicilamina oral (0,75 - 2 g/dia em doses divididas, tomadas 1 hora antes ou 2 horas após a refeição) associada a piridoxina oral, 50 mg por semana. Foi também prescrito zinco elementar na dose de 50 mg três vezes ao dia. Houve melhora clínica e indicação para que o tratamento fosse continuado indefinidamente, além de uma dieta específica. A doença em questão é:

Alternativas

  1. A) hemocromatose;
  2. B) hepatite autoimune;
  3. C) colangite esclerosante primária;
  4. D) doença de Wilson;
  5. E) síndrome de Budd-Chiari.

Pérola Clínica

Jovem com hepatopatia + sintomas neuropsiquiátricos (parkinsonismo, ataxia) = Investigar Doença de Wilson.

Resumo-Chave

A Doença de Wilson é um distúrbio genético do metabolismo do cobre que causa seu acúmulo tóxico no fígado e nos gânglios da base. O diagnóstico precoce e o tratamento com quelantes de cobre, como a D-penicilamina, são essenciais para prevenir danos neurológicos e hepáticos irreversíveis.

Contexto Educacional

A Doença de Wilson é uma doença genética autossômica recessiva causada por mutações no gene ATP7B, que codifica uma proteína transportadora de cobre. Essa deficiência impede a excreção biliar de cobre, levando ao seu acúmulo progressivo e tóxico, primariamente no fígado e no cérebro. A prevalência é de aproximadamente 1 em 30.000 indivíduos. A apresentação clínica é variável, podendo manifestar-se como doença hepática (desde hepatite aguda a cirrose), sintomas neurológicos (parkinsonismo, tremores, ataxia, distonia) ou psiquiátricos (depressão, psicose). A anemia hemolítica com Coombs negativo pode ocorrer devido ao estresse oxidativo nos eritrócitos. O diagnóstico é suspeitado pela clínica e confirmado por exames como dosagem de ceruloplasmina, cobre urinário e, em casos duvidosos, biópsia hepática com quantificação de cobre. O tratamento é contínuo e visa remover o excesso de cobre e prevenir sua reacumulação. Utilizam-se agentes quelantes como a D-penicilamina ou trientina, que aumentam a excreção urinária de cobre. O zinco é usado como terapia de manutenção, pois bloqueia a absorção intestinal do metal. O prognóstico é bom se o tratamento for iniciado precocemente, antes do desenvolvimento de danos teciduais irreversíveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais e oftalmológicos na Doença de Wilson?

Os achados laboratoriais típicos incluem ceruloplasmina sérica baixa, cobre sérico total baixo (apesar do acúmulo tecidual), e cobre urinário de 24 horas elevado. No exame oftalmológico com lâmpada de fenda, podem ser encontrados os anéis de Kayser-Fleischer, depósitos de cobre na membrana de Descemet da córnea.

Qual o mecanismo de ação da D-penicilamina e do zinco no tratamento?

A D-penicilamina é um agente quelante que se liga ao cobre, formando um complexo solúvel que é excretado na urina, promovendo a decopperação. O zinco atua no enterócito, induzindo a metalotioneína, que se liga ao cobre da dieta e impede sua absorção, sendo eliminado nas fezes.

Como diferenciar os sintomas neurológicos da Doença de Wilson de outras causas de parkinsonismo?

Na Doença de Wilson, os sintomas neurológicos frequentemente se iniciam em idade jovem e podem incluir disartria, disfagia, tremor de 'bater de asas' (wing-beating) e um sorriso 'risus sardonicus', além do parkinsonismo. A associação com doença hepática e os marcadores do metabolismo do cobre são chaves para o diagnóstico diferencial.

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