Doença de Whipple: Diagnóstico de Sinais Neurológicos e Sistêmicos

CEPOA - Centro de Estudos e Pesquisas Oculistas Associados (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente apresenta-se ao oftalmologista com mioarrtmia oculomastigatória acompanhada de paralisia do olhar vertical supranuclear. Apresenta outras queixas sistêmicas como febre, artrite, adenomegalias e síndrome disabsortiva. Relata biópsia de duodeno por endoscopia digestiva alta evidenciando macrófagos PAS+. Ainda não apresentou o resultado ao seu médico assistente. Com esses dados, podemos fechar o diagnóstico de:

Alternativas

  1. A) Doença celíaca.
  2. B) Síndrome de Zollinger-Elisson.
  3. C) Doença de Whipple.
  4. D) Doença de Crohn.

Pérola Clínica

Mioarritmia oculomastigatória + paralisia olhar vertical + disabsorção + macrófagos PAS+ = Doença de Whipple.

Resumo-Chave

A Doença de Whipple é uma infecção sistêmica rara causada pela bactéria Tropheryma whipplei, que se manifesta com uma tríade clássica de sintomas: artralgia, síndrome disabsortiva e perda de peso. A presença de mioarritmia oculomastigatória e paralisia do olhar vertical supranuclear é patognomônica da doença neurológica de Whipple, e a biópsia de duodeno com macrófagos PAS-positivos é diagnóstica.

Contexto Educacional

A Doença de Whipple é uma infecção bacteriana crônica e multissistêmica rara, causada pelo bacilo gram-positivo Tropheryma whipplei. Embora classicamente associada à síndrome disabsortiva, suas manifestações são variadas e podem afetar múltiplos órgãos, incluindo o sistema nervoso central, articulações, coração e linfonodos. O diagnóstico é frequentemente desafiador devido à sua apresentação inespecífica e à raridade da condição. A presença de mioarritmia oculomastigatória (movimentos rítmicos e sincrônicos dos olhos e músculos mastigatórios) e paralisia do olhar vertical supranuclear é considerada patognomônica da doença de Whipple com envolvimento neurológico. Outros achados sistêmicos, como febre, artrite migratória, adenomegalias e síndrome disabsortiva (diarreia, esteatorreia, perda de peso), devem levantar forte suspeita. O diagnóstico definitivo é estabelecido pela biópsia de tecidos afetados, mais comumente o duodeno, que revela a presença de macrófagos espumosos contendo material PAS-positivo (ácido periódico de Schiff). A identificação do T. whipplei por PCR também é um método diagnóstico sensível e específico. O tratamento com antibióticos de longa duração é essencial para a cura e para prevenir recidivas, especialmente do envolvimento neurológico, que pode ser fatal se não tratado.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas mais comuns da Doença de Whipple?

As manifestações mais comuns incluem artralgia/artrite (geralmente migratória), síndrome disabsortiva (diarreia, dor abdominal, perda de peso), linfadenopatia, febre e sintomas neurológicos como mioarritmia oculomastigatória e paralisia do olhar vertical supranuclear.

Qual o agente etiológico da Doença de Whipple e como é diagnosticado?

A doença é causada pela bactéria Tropheryma whipplei. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação de macrófagos PAS-positivos (ácido periódico de Schiff) na biópsia de tecidos afetados, como duodeno, linfonodos ou cérebro, ou por PCR para o DNA da bactéria.

Como é o tratamento da Doença de Whipple e qual o prognóstico?

O tratamento consiste em antibioticoterapia prolongada, geralmente com ceftriaxona ou meropenem inicialmente, seguida por sulfametoxazol-trimetoprim por 1 a 2 anos. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas a doença não tratada é fatal, especialmente com envolvimento neurológico.

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