Doença de von Willebrand: Diagnóstico e Sinais Clínicos

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 30 anos, consulta seu médico com um histórico de epistaxes frequentes desde a infância, bem como menstruações prolongadas e com alto fluxo. Sangramentos excessivos após exodontias. Ela relata que outros membros de sua família também têm o mesmo histórico de sangramentos excessivos. Os exames de laboratório revelam um tempo de protrombina (TAP) e um Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA), dentro da faixa da normalidade, porém uma plaquetopenia leve é vista em exame, com plaquetometria em torno de 100.000. Qual é o diagnóstico mais provável para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Hemofilia A.
  2. B) Trombocitose essencial.
  3. C) Doença de von Willebrand.
  4. D) Púrpura trombocitopênica idiopática (PTI).

Pérola Clínica

Epistaxe, menorragia, sangramento pós-procedimento + TAP/TTPA normais + plaquetopenia leve + história familiar → Doença de von Willebrand.

Resumo-Chave

A Doença de von Willebrand é o distúrbio de coagulação hereditário mais comum, caracterizado por sangramentos mucocutâneos. A plaquetopenia leve e os tempos de coagulação normais, juntamente com a história familiar e clínica, são cruciais para a suspeita diagnóstica.

Contexto Educacional

A Doença de von Willebrand (DvW) é o distúrbio hemorrágico hereditário mais comum, afetando cerca de 1% da população. É causada por uma deficiência ou disfunção do fator de von Willebrand (FvW), uma proteína essencial para a adesão plaquetária e para a proteção do fator VIII da coagulação. Sua importância clínica reside na alta prevalência e na necessidade de diagnóstico correto para manejo adequado de sangramentos e profilaxia em procedimentos. A suspeita diagnóstica surge em pacientes com histórico de sangramentos mucocutâneos (epistaxe, menorragia, sangramento gengival, equimoses fáceis) e/ou sangramento excessivo após traumas ou cirurgias, muitas vezes com histórico familiar positivo. Laboratorialmente, o TAP e o TTPA podem ser normais, e a plaquetometria pode ser normal ou apresentar plaquetopenia leve, como no caso. O diagnóstico definitivo envolve a dosagem do FvW (antígeno e atividade) e do fator VIII. O tratamento varia conforme o tipo e a gravidade da DvW, podendo incluir desmopressina (DDAVP) para liberar FvW endógeno, concentrados de FvW/FVIII, ou antifibrinolíticos. É crucial para residentes reconhecer o padrão de sangramento e os achados laboratoriais iniciais para direcionar a investigação e evitar condutas inadequadas, como transfusões desnecessárias ou atraso no tratamento específico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da Doença de von Willebrand?

Os principais sinais incluem sangramentos mucocutâneos como epistaxes frequentes, menorragia, sangramento gengival e sangramento excessivo após cirurgias ou traumas.

Como diferenciar a Doença de von Willebrand de outras coagulopatias?

A Doença de von Willebrand tipicamente apresenta TAP e TTPA normais (ou TTPA levemente prolongado em tipos mais graves), plaquetometria normal ou levemente reduzida, e uma história familiar de sangramento.

Qual o papel do fator de von Willebrand na coagulação?

O fator de von Willebrand atua na adesão plaquetária ao endotélio lesado e como carreador do fator VIII, protegendo-o da degradação. Sua deficiência afeta tanto a hemostasia primária quanto a secundária.

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